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porMelissa de Sá

Minha história de ser mulher

Em seu segundo discurso para a campanha #HeForShe, Emma Watson pediu que as pessoas compartilhassem suas histórias de igualdade de gênero. Na minha dissertação de mestrado, eu escrevi que concordava com várias estudiosas dizendo que contar sua própria história é uma forma de empoderamento. Então por isso, nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, vou contar minha história. A minha história de ser mulher.

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Porque sempre achei que não era menos que ninguém por ser uma menina. Mas tentaram me fazer acreditar no contrário. Ler mais

porMelissa de Sá

Quem tem medo do feminismo? E o que é um objeto?

Outro dia estava lendo um post do blog A Melhor das Intenções quando me deparei com o seguinte comentário que me deixou bem, digamos, surpresa. Segue o comecinho do post:

Na sua opinião, o que é machismo?

Reparem que estou perguntando a respeito de sua opinião e não a definição que a sociedade adota para a palavra. Não me considero uma feminista.

Só concordo com elas até o ponto em que determinam que a mulher é dona do próprio corpo e pode fazer dele o que bem entender, inclusive se abster de sexo. Porém discordo da posição exageradamente rígida quanto à mulher como objeto de desejo sexual. Por que em termos de sexo, acredito que grande parte do nosso prazer está em saber o quanto somos desejadas.

WTF????????? Como assim???? Não é feminista? Objeto de desejo sexual?

Dando uma contextualizada a respeito do blog e de sua proposta antes de eu realmente chegar no ponto que eu quero chegar: o blog A Melhor das Intenções foi criado por três twitteiras e tem por objetivo comentar suas diversas experiências amorosas (principalmente as que deram errado) com bom humor e tranquilidade. As três autoras (e também os colunistas “convidados”) falam abertamente sobre sexo e as meninas assumem sem problema nenhum sua liberdade sexual, os parceiros que tiveram, as experiências sexuais vividas. Confesso que não sou uma leitora assídua do blog, então não posso falar de todos os posts, mas de vez em quando dou uma lida e posso dizer que a posição desse post me pegou totalmente desprevenida. E por dois motivos.

Motivo #1: O medo da palavra com “f”

Verdade seja dita: falar feminismo muitas vezes é pior do que falar palavrão. Tem mulher que foge da palavra que nem diabo foge da cruz. Liberal sim. Feminista? Eu? Que isso, tá doido? Eu não tenho nada a ver com isso! Pelamordedeus!!! Inclusive na Marcha das Vadias (não sabe o que é, veja essa carta manifesto aqui rs) muitas das manifestantes que estavam ali para dizer não-é-porque-estou-com-roupa-curta-que-sou-vadia-e-sou-culpada-de-ser-estuprada foram bem rápidas em dizer que não eram feministas e que aquela causa não era feminista.

A sociedade conservadora conseguiu muito bem criar o esteriótipo da feminista machona, mal-amada e sem senso de humor que não é interessante e muito menos sexy. Pior que ser feminista, só ser uma feminista gorda e pobre. Mas a verdade é que feminismo não tem nada a ver com isso e sim com igualdade entre os sexos. E antes que você venha me dizer que os diferentes gêneros têm direitos iguais e que essa balela de feminismo não faz sentido, eu recomendo que você leia esse post que eu fiz sobre alguns dos mitos do feminismo.

Ser feminista não é ruim, na verdade, é querer igualdade, mas é impressionante como a blogueira do A Melhor das Intenções foi rápida em dizer que não era. Como se fosse uma praga.

Tem um artigo muito legal que pode ser lido aqui que expressa porquê algumas mulheres mostram essa insegurança em se assumirem publicamente como feministas.

Motivo #2: ser um objeto de desejo sexual não é nada sexy

Vamos começar do começo. Existe a posição de sujeito e existe a posição de objeto. Se você está com/conhece um cara que te acha super sexy, e vocês fazem sexo, e curtem, e é tudo de bom e você participou e curtiu demais da conta, você está na posição de sujeito. Se você está com um cara que não leva em consideração sua opinião, que está simplesmente interessado no seu corpo e em nada das suas vontades e preferências sexuais e que só leva em conta a vontade dele, você é um objeto.

Tratar uma mulher como um objeto sexual significa que ela é simplesmente um corpo que existe para ser utilizada por um homem e pela vontade dele. Significa que na verdade não faz diferença se aquilo ali é  fulana, ou ciclana, ou uma boneca de plástico. Quando a mulher é um objeto, ela é um objeto e como tal não tem vontade, desejo, opinião, inteligência, lugar na sociedade. Então ser um objeto sexual não é nada sexy. Não tem nada a ver com se sentir desejada. Tem a ver com ser usada e desrespeitada.

A autora do post ainda continua:

Então, quando vejo coisas como Lingerie Day, ou ensaios sensuais bombando na internet, não acho errado, muito menos acho que as gurias em questão são vadias, porque sei como todos aqueles comentários e homens babando fazem bem pro ego.

Nenhuma feminista que eu conheço julgaria alguém que faz Lingerie Day ou ensaio sensual na internet de vadia. Porque isso seria ir contra um dos princípios do próprio feminismo que é o de que as mulheres não devem ser julgadas por sua aparência e que chamar uma mulher de vadia somente por causa da roupa que usa ou do comportamento sexual que exibe é machismo. O que as feministas dizem é que essas mulheres de ensaios sensuais foram objetificadas para atender um fetiche masculino. E foram, não foram? Quer dizer, quem é que criou essa coisa de coelhinha e talz? Quem é que criou a indústria pornográfica e afins? Quais são os maiores beneficiados disso tudo? Bem, não são as mulheres.

A cultura da objetificação e erotização de tudo é danosa à nossa sociedade, e não só às mulheres. Queremos uma expressão da sexualidade livre e não uma lavagem cerebral de que sexo é uma forma de expressar o seu poder sobre o outro, de subjufação. Sexo tem que ser saudável e para ambas as partes! E sim, a mídia é altamente sexista e há várias propaganda que colocam a mulher como objeto como essa aqui, que pode ser muita coisa mas não é sexy.

Quanto ao quesito comentários e homens babando fazem bem pro ego, eu não sei, mas eu acho ofensivo uma vez que todo esse alvoroço vem de tratar a mulher daquela foto como um objeto e nada mais. A mulher ali não é uma pessoa a ser admirada e desejada e sim um recipiente, sim um recipiente. É tosco mas é verdade.

Óbvio que todo mundo quer ser sexy. Todo mundo quer ter uma vida sexual feliz. Homens e mulheres. Mas essa vida sexual feliz depende de respeito e igualdade. Claro que queremos nos sentir bonit@s e desejad@s, mas que isso seja feito numa posição de sujeito e não de objeto. Que a mulher possa escolher, dizer sim e dizer não.

E que o homem também. Porque o texto dessa blogueira faz um questionamento pertinentente que é o de que homens podem ser vítimas de machismo. O machismo é uma grande chaga da sociedade e prejudica todo mundo, homens inclusos. Afinal, todas essas máximas de “homem não chora”, “homem sempre quer sexo”, “homem tem que pegar” criam problemas para muitos homens sim. Realmente, nisso concordo com a autora, ter a sexualidade questionada só porque não quis fazer sexo com alguém é ridículo.

Só gostaria de esclarecer que meu objetivo com esse post não é o de detonar a blogueira, nem de jogar pedra em ninguém. Acho o trabalho das meninas do A Melhor das Intenções, que falam sobre sexo de uma forma desencanada e extrovertida, válido, pois tenta quebrar alguns preconceitos da sexualidade feminina. Só usei o texto dela (que está na internet e eu citei a fonte para não ter problemas e avisei a autora sobre esse meu texto) para mostrar como a mídia conseguiu deturpar alguns conceitos importantes como feminismo e objetificação sexual a ponto de que pessoas bem informadas e críticas acabem por utilizar/acreditar em idéias erradas e deturpadas.

"Você já ouviu falar de objectofilia? É quando você se sente atraído por objetos." "Ah, eu tenho isso." "Mesmo?" "Sim, eu me sinto atraído por mulheres"

Objetificação não é sexy. É falta de respeito.

Para quem se interessa sobre esse debate, tem um link muito bom aqui.

porMelissa de Sá

Chique é ser inteligente (ou o que as revistas femininas fazem você acreditar)

Elas estão em toda parte: em salas de espera de médicos e dentistas, no salão de beleza, na biblioteca de escolas, na mesa daquela sua colega de escritório, dando sopa na cestinha de revistas de um banheiro. As revistas femininas tomam o mercado editoria com tiragens enormes, tudo isso apostando numa variedade absurda, que vai agradar vários gostos.

Para as mais sofisticadas, Marie Claire. Para as mais modernas e esportivas, Claudia. Para as mais comportadas, Criativa. Para as adolescentes mais saidinhas, Capricho. Para as adolescentes mais recatadas, Atrevida. E vão aí inúmeras outras. Variando a faixa, as capas sempre mostram uma celebridade maravilhosa com uma frase de impacto e os assuntos são os mesmos:

  • o que você deve vestir e que dieta você deve fazer para ficar em forma (Moda & Beleza);
  • o que você deve fazer para arrumar um namorado ou manter o seu namorado/marido/parceiro/peguete (Comportamento);
  • e o que você deve pensar (Carreira, Celebridades e Assuntos Polêmicos)

Todas elas têm uma única premissa: a mulher moderna e inteligente. Mas quem diabos é essa mulher?

A primeira foto que aparece no google images quando você digita "mulher moderna e inteligente". Pra quem não reconheceu, essa é a Katie Holmes, mulher do Tom Cruise. É, aquela mesma que não pode mais fazer cena de beijo por conta do maridão.

Basicamente a mulher moderna e inteligente domina 3 grandes aspectos da vida (e sim, já li essas revistas então posso falar):

  1. Ela é alta, magra, tem os cabelos impecáveis, veste-se com estilo, acompanhando todas as tendências da moda. Se a genética não permite, vamos apelar para as dietas loucas, saltos, itervenções cirúrgicas e tudo mais.
  2. Ela está sempre acompanhada. Se não tem namorado/marido/parceiro/peguete, sabe exatamente o que fazer para arranjar um. Tem todos os truques da sedução. Sabe de cor qual o melhor olhar para dizer que está a fim, sabe cruzar as pernas, sabe até aquela posição 57 tântrica que vai deixar qualquer um maluco. Se é casada, não dorme de blusão, só de lingerie sexy e badala com o maridão (sim, ele é um maridão) sempre. Se tem filhos, é uma super mãe. Leu todos os livros de psicologia infantil do momento, toma conta dos meninos, troca fralda enquanto aplica uma máscara nos cilhos.
  3. Ela tem um emprego sensacional. Mas não estamos falando aqui de um bom emprego. As mulheres modernas e inteligentes nunca são professoras, recepcionistas, biólogas ou analista de sistemas. Elas são designers, DJs, altas executivas, decoradoras, especialistas em look ou ocupantes de algum cargo impronunciável que você provavelmente não vai entender.

Em outras palavras: essa mulher não existe.

É isso mesmo, você que acreditou em tudo que as revistas te disseram e que está se matando para dar conta de tudo na sua vida, gastando seu salário em cosméticos e em roupas caríssimas. Respira. E não, nem a Katie Holmes é assim. Ninguém é asim porque isso é impossível. Quer uma prova?

Você acha essa mulher gorda ou “gordinha” (como dizem os eufemismos da vida)?

Pois de acordo como Google, ela é sim. Ao digitar “mulher gordinha” no Google aparece essa moça, modelo de plus size. Plus size? Gente, desde quando 42, 44 ou 46 virou plus size? Desde quando ser normal virou usar 34 e 36?

Agora vamos digitar “mulher” no Google. Olha só que aparece:

Olha que meigo. Magrinha, maquiada e com uma rosa na mão… Que é que andam te dizendo sobre você mesma, hein?

No mundo dito real ninguém consegue ter um super emprego, um super relacionamento e ser uma super mãe. Quem não consegue (ou seja, todo mundo) entra numa paranóia e se acha uma fracassada. Como assim eu não consigo trabalhar o dia inteiro, cuidar das crianças, andar super arrumada e fazer sexo loucamente com meu namorado/marido/parceiro/peguete? Eu sou uma fracassada!

Não, querida, você é mulher mesmo. Um ser humano. Que não dá conta de tudo. Que tem altos e baixos. Que às vezes vai super bem no trabalho mas a vida pessoal tá uma droga. Que às vezes dá atenção pros filhos mas tá cansada deles. Que às vezes tá numa maré ruim. E daí?

As revistas femininas vendem uma imagem de que a mulher moderna e inteligente é normal. Que ela tem que dar conta de tudo para ser realmente considerada mulher. Vendem a imagem que nós mulheres temos que ser a celebridade da capa. Mas olha só que coisa, se nem a celebridade da capa é perfeita…

Até que ponto todas aquelas dicas ali realmente estão pensando em você? A dieta é realmente para você baixar o nível de colestorol ou é pra você ficar mais parecida com a modelo? Aquela sequência de exercícios físicos é pra te tirar do sedentarismo ou é pra deixar a sua barriga tanquinho que nem a da Gisele? Aquele jeans realmente vai te fazer sentir mais confiante? E aquela posição 57, é realmente pra você aproveitar? E se é, por que o nome da matéria é 99 maneiras de deixá-lo louco?

Numa embalagem pseudo-feministas, essas revistas vendem uma mentira. E endossam ainda mais o ponto de vista de que para ser mulher você tem que casar com um cara lindo, que te diz o que fazer, ter um super emprego e ganhar muito dinheiro, cuidar dos filhos loucamente e andar na moda.

Ah, agora entendi porque a imagem da Katie Holmes apareceu.

Olha a famíla da mulher moderna e inteligente... *ligar a ironia aqui*

porMelissa de Sá

Dia do Homem??????????????

Estava eu andando no shopping quando vi isso aqui:

Dei uma pesquisada na internet e descobri que o dia do homem é hoje, 15 de julho. E descobri também que foi um dia criado há dez anos pelo ex-presidente russo Mikhail Gorbachev. Não tem data específica para o dia do homem, cada país decide a sua, e no Brasil parece que a data escolhida foi 15 de julho.

Eh… então, dia do homem. Que coisa ridícula. Sério mesmo. E digo isso porque o grande propósito de se criar dias para determinadas categorias é porque essas categorias são minorias, que precisam de um dia para serem simbolicamente lembradas, que precisam constantemente lutar pelos seus direitos. Ou você realmente achou que tinha dia da mulher, dia do índio e dia da consciência negra só porque era legal?

Homem não é minoria. Todo dia é dia do homem. Homem não precisa de um dia para lembrar suas lutas contra opressão. Homem não precisa de um dia para se lembrar que é homem. Então a data fica meio fora de propósito. Tipo um dia para lembrar que os homens têm privilégios, que ganham 20% a mais que as mulheres, que não são a principal vítima de violência doméstica e/ou sexual, que não foram oprimidos durante séculos, que não têm sua sexualidade regrada por uma cultura patriarcal, que não sofrem preconceito porque são homens.

Não, não tenho nada contra homem. Só acho que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e acho que isso não acontece em nossa sociedade. Também acho que criar datas como dia do homem, dia do heterossexual e dia do branco é simplesmente fazer piada com os dias da consciência das minorias. É fazer de tudo um carnaval. E bem, nada melhor do que fazer de tudo um carnaval para as pessoas simplesmente fecharem os olhos para questões importantes.

A Campanha da Boticário é ridícula e mais ridícula é a recepção da mesma por algumas pessoas aí na net. Dizer “Se a mulher tem um dia só dela, por que o homem não deve ter?” é jogar por terra toda uma história por trás do dia internacional da mulher, da luta da emancipação feminina. É tipo falar pra um gay que o heterossexual também tem que ter o dia dele porque ele precisa de liberdade pra se expressar. Hello, homens heterossexuais brancos se expressam o tempo todo!

E sim, campanhas publicitárias endossam a visão predominante. E sim, elas me assustam.

porMelissa de Sá

5 Coisas que eles te falaram sobre o Feminismo (e que você acreditou)

Posso dizer que me tornei feminista em janeiro deste ano depois de ler a Norton Anthology of Literature by Women. Já comentei a respeito dessa leitura nesse post. Comecei a ler livros teóricos sobre o assunto – na minha área que é literatura – e a ler blogs, dentre eles o famoso Escreva Lola Escreva. Pode parecer ingenuidade, mas foi quando eu percebi que existe gente que odeia feminismo. Quer dizer, eu sempre soube que machistas existiam e que por uma consequência natural, seriam contra o feminismo. Mas eu nunca achei que as pessoas poderiam odiar tanto uma linha de pensamento e pior, odiar baseando-se em idéias completamente erradas e distorcidas. E aí vão algumas delas:

5. Toda feminista é lésbica. Se não for publicamente, é uma enrustida.

Engraçado que várias pessoas me falaram isso quando eu comecei a me auto-declarar feminista. Sério. Gente que me conhece já faz anos me olhou de um jeito estranho como se de repente eu tive ficado verde. Não pessoas, nem toda feminista é lésbica. Existem feministas lésbicas? Claro. Como também existem feministas homens (sério). Uma das grandes premissas do feminismo é a liberdade sexual, o direito de escolha da mulher sobre o que fazer com a sua sexualidade. Se ela quiser expressar sua sexualidade com outra mulher, well, é uma escolha pessoal. Mas não existe essa de feminista=lésbica. Isso foi a TV que te contou.

4. As feministas querem tomar o lugar dos homens.

Quê? Primeiro, existe um “lugar dos homens”? Existe uma linha pintada no chão onde os homens ficam com a plaquinnha “Lugar dos homens – mulheres se afastem”? O feminismo não quer tomar nada de ninguém, só quer igualdade. Ninguém vai sair por aí roubando emprego de homem ou batendo em homem na rua (isso, pessoas, é o machismo que faz). O feminismo só luta pelos mesmos direitos o que se significa que se uma mulher quiser ser piloto de avião ela tem o direito a fazer uma prova, fazer o curso e ser aprovada se tirar boas notas. Feminismo luta por direitos iguais ou seja, as mesmas chances na vida.

3. Feminista que se casa não é feminista de verdade.

Engraçado que as pessoas têm a imagem de feministas como essas mulheres frias e sozinhas, morando numa casa entupida de livros, morrendo de rancor no coração. Que isso. Se o ponto principal do feminismo é a escolha da mulher, então ela tem direito de escolher se casar. Óbvio que casamento aqui não será aquele casamento da sua vó em que ela abaixava a cabeça, fazia comida duas vezes por dia, arrumava a casa sozinha e sem reclamar. Estamos falando de casamento em que haja uma união de verdade. Ou seja, as duas partes são responsáveis pelo funcionamento da casa e da relação, partilham suas obrigações e deveres, têm os mesmos direitos e compensações. Peraí, não isso que o casamento deveria ser a princípio mesmo?

2. Feminismo e machismos são duas linhas extremistas que não devem ser seguidas.

Esse é um pensamento muito confortável para a maioria das pessoas. Aquele discurso de que feminismo e machismo são dois lados da mesma moeda e que o bom mesmo é ser neutro. Não, você não é neutro. Neutralidade não existe. O feminismo não é uma linha extremista e não tem nada a ver com mulheres no comando dominando homens. Diferente do machismo, o feminismo respeita a liberdade de expressão, a diversidade, o direito de escolha, a voz das minorias.

1. Não há lugar para lutas feministas no mundo de hoje. As mulheres já têm seus direitos garantidos por lei.

De todos os pensamentos, esse é o mais perigoso. As mulheres têm seus direitos garantidos por lei, mas essa lei se cumpre ou é eficiente? E os casos de estupro? E a violência doméstica? E a discriminação? E a categoria “vadia” aplicada para mulheres com vida sexual ativa que não são casadas? E o fato que muitas mulheres bem qualificadas perdem a chance de um emprego simplesmente porque são mulheres? E o fato de que as mulheres ganham 20% a menos que os homens? E o preconceito? E as piadas de mal gosto? E não, isso não é paranóia, é a realidade. Em dúvida, dê uma olhada nas estatísticas do IBGE ou tente dar uma analisada nas tais “crenças populares”. Você ainda tem certeza que a mulher é tratada de uma forma justa comparada a um homem?

Enfim. É isso. *respira de alívio*

porMelissa de Sá

Discografia e História: The Runaways – PARTE 1: Born to Be Bad

Esse post faz parte do projeto Born to be a Runaways fan. A idéia é oferecer informação de qualidade sobre The Runaways para o público que não lê em inglês. Todas as informações contidas nessa série de artigos sairam de fontes e depoimentos ligados aos membros da banda. A bibliografia em inglês está no final desse post.

 Em 1975, Joan Jett (então Joan Larkin) conheceu o controverso produtor musical Kim Fowley na saída de um clube noturno (Rodney´s English Disco). Joan, então com 16 anos, disse que tocava guitarra e que gostaria de formar uma banda só de garotas. Foi através de Kari Chrome, uma garota de 14 anos com quem Joan costumava sair às vezes para baladas glam rock, que Joan ficou sabendo de Fowley, que achou a idéia bacana e perguntou se Joan tinha uma demo. Ela nem sabia o que era uma demo. Vale lembrar que Kari Chrome contribuiu com algumas letras para The Runaways, entre elas “Thunder” e o clássico “California Paradise”. Ler mais

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