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porMelissa de Sá

Uma escritora na Bienal do Livro Rio 2015

Essa foi a primeira Bienal que participei como autora. E foi uma experiência incrível. Encontrei amigos escritores, conheci outros, pude abraçar mais uns finalmente. Autografei, conversei com leitores, descobri livros novos. Tenho certeza – e as fotos captaram isso – que estava com os olhos brilhando.

Nove em cada dez escritores têm o sonho de se expor numa Bienal. Comigo não foi diferente. Ler mais

porMelissa de Sá

Quando eu tinha 16…

O Jean Costa lançou seu novo single, “16”, parte do álbum Lands of Forever, que eu já resenhei aqui. A música é uma das minhas favoritas do CD. Afinal, é uma nostalgia lembrar dos nossos 16 anos, das horas passadas online e daquele sentimento de que tudo era tão urgente!

 

Por isso confira aqui as 16 coisas que eu fazia quando tinha 16… Ler mais

porMelissa de Sá

Resenha de Livro: Um Dia

Eu já tinha assistido o filme e chorando um bocado, mas digo que o livro foi uma experiência mais dolorosa. Não, não por motivos óbvios. Achei Um Dia um livro depressivo, até difícil de ingerir. Sim, é também um livro incrível. Mas quando penso muito sobre ele, fica aquele gosto ruim na boca…

A premissa é muito simples. Emma e Dexter se conhecem no dia 15 de julho de 1988. A partir daí, suas vidas tomam rumos diferentes, mas os dois estão sempre em contato. Os anos passam e o leitor acompanha o que aconteceu com eles, sempre no dia 15 de julho. Ler mais

porMelissa de Sá

Qual é a sua [casa de Hogwarts]?

Não precisa ser necessariamente um fã fanático de Harry Potter para ter se perguntando algum dia em qual casa de Hogwarts você cairia. Qualquer pessoa que tenha visto os filmes fica com essa curiosidade, fato que justifica os milhões de testes online para casas de Hogwarts.

Ah... o brasão de Hogwarts...




Para quem não sabe, Hogwarts é dividida em quatro casas: Grifinória (Gryffindor), Sonserina (Slytherin), Ravenclaw (Corvinal) e Hufflepuff (Lufa-Lufa). Se você não sabe o que é Hogwarts, então talvez ler esse post não faça muito sentido.

A questão é que para os fãs fanáticos (eu incluída), a cerimônia de seleção é importantíssima. Na série Harry Potter, todas as dúvidas são resolvidas quando a Profa. McGonagall chama seu nome, você anda cambaleantemente até um banquinho e enfia um chapéu velho e surrado na cabeça. Depois de algumas deliberações o chapéu grita a casa em que você vai ficar.

Insanamente nós fãs ficamos tão nervosos quanto Harry...

E como não podemos contar com o Chapéu Seletor, nos resta a especulação. Existem muitas teorias sobre o que faria pessoa X ir para a casa Y ou Z, algumas divulgadas pela própria J.K. Rowling. Mas no geral temos um esqueminha de comum acordo que fica assim:

  • Grifinória: casa dos corajosos. Normalmente idealistas que lutam por uma causa até o fim. Tendem a se gabar um tanto e têm um forte senso de justiça.
  • Sonserina: casa dos ambiciosos. Aqueles que fazem de tudo para conseguir o que querem. Sonserinos tendem a se gabar muito de seus feitos e costumam ser perseverantes no que querem.
  • Corvinal: casa daqueles que valorizam a inteligênica. São tidos como excêntricos às vezes e prezam a intelectualidade. Normalmente não lidam bem com falhas.
  • Lufa-Lufa: casa dos esforçados. Lufos são leais até o fim às pessoas de seu círculo e não têm medo de se dedicar para conseguir algo. O problema é que o excesso de cordialidade pode ser visto como ingenuidade por outras pessoas.

A questão é que nossa personalidade tem um pouco de tudo isso e pra maioria das pessoas é difícil decidir o que predomina sem a ajuda de um chapéu mágico.

Minha experiência com as casas de Hogwarts sempre foi marcada por uma incerteza. Como 99% das pessoas que começam a ler Harry Potter, no início eu achava que seria da Grifinória. Afinal, o próprio Harry é de lá e como tudo o que vemos é do ponto de vista dele, a Grifinória é, disparada na frente, a casa mais legal. Quando entrei no fandom (comunidade de fãs) de Harry Potter eu me auto-declarava Grifinória e demorou um tempo até eu perceber que não era uma pessoa super corajosa. Então, bem, eu descartei a Grifinória. Mas se eu não era da Grifa, eu era o quê?

Essa pergunta flutuou na minha cabeça durante uns anos e eu não sabia muito bem como resolver. Foi então que comecei a ter afinidade em relação à Sonserina. Isso porque essa é a casa das pessoas ambiciosas, que correm atrás do que querem. Nessa época de final da adolescência, essa atitude tinha a ver comigo e eu fiquei um tanto feliz de ter aparentemente encontrado meu lugarzinho em Hogwarts.

O problema foi que depois de um tempo a dúvida voltou. No fórum que eu participo (o Not as a Last Resort), via várias pessoas com total certeza da casa que pertenciam e comecei a ficar pensativa: por que eu não tenho essa certeza? De fato eu me identifico com algumas coisas da Sonserina. Sério. É que existem muitos mitos em relação à casa. Na série, a Sonserina é alvo de prenconceitos, principalmente por parte do Ron (que sempre será meu personagem favorito!). É interessante ver como o mito da “casa do mal” vai sendo desconstruído ao longo dos livros, até o final em que alguns alunos da Sonserina (liderados pelo Slughorn) voltam para a Batalha de Hogwarts – detalhe: odiei terem mudado isso no filme! – e até mesmo com Harry dizendo para seu filho que não tinha problema algum em ir pra Sonserina.

Aí veio o Pottermore (para ler sobre o Pottermore, clique aqui) e o teste de Seleção de Casas criado pela própria J.K.Rowling. Tensão. Os fãs ficaram em polvorosa. Seria o ultimato final. E eu fiquei super ansiosa, porque, afinal, seria a minha chance de saber a qual casa eu pertenço.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

No dia que o Pottermore liberou meu acesso ao site, eu pensei: “Okay… se eu não cair na Sonserina, pra qual casa eu iria? Com certeza não Grifinória… Corvinal não tem nada a ver comigo… então… seria Lufa-Lufa, né?”.

E foi Lufa-Lufa.

Eu lembro que o site demorou a carregar o resultado. Depois das 10 perguntas (que não são tão óbvias assim nada, então não tem essa de dar “a resposta da Grifinória” ou “a resposta da Corvinal”), a página ficou amarela. E eu fiquei em choque. hahahaha Sei lá, eu fiquei assim sem saber direito como reagir. Aí, depois de quase um minuto encarando o texugo do brasão, é que eu fui clicar na mensagem de boas vindas. E foi muito legal.

A mensagem na verdade é o discurso do monitor da Lufa-Lufa para os alunos novatos. E começa desmistificando a idéia de que a Lufa é a casa menos inteligente de Hogwarts. Na verdade, Lufos atingem ótimos resultados, só não ficam por aí se vangloriando deles. E foi na hora que li isso que eu disse: “Bem, sou Lufa, afinal”. Daí o texto desenvolve falando o que significa o símbolo do texugo (animal pequeno, mas que quando provocado pode atacar animais maiores que ele), onde fica a sala comunal e como ela é, mais alguns bruxos importantes que eram Lufos. E o mais importantes: os Lufos são dedicados e esforçados.

Imagino que sempre terei um pé na Sonserina, mas me identifiquei com a Lufa. E bem, foi a J.K.Rowling quem disse! Isso tudo parece uma bobagem, mas saber a qual casa de Hogwarts eu pertenço é um alívio! Sério. Inclusive me ajudou a analisar alguns aspectos da minha personalidade. Eu sempre tendo a achar que nunca me esforço, e bem, eu me esforço sim! Me esforço bastante. O problema é que eu nunca acho que é suficiente. *workaholic mor*

Fora que o clima de não-competição na sala comunal da Lufa é bem legal. Eu realmente sou uma pessoa mais colaborativa e não gosto muito de competir. Eu acho que o trabalho de cada um tem seu mérito e que esse mérito depende do contexto. Talvez essa seja, afinal, minha diferença com a Sonserina, cujos membros pensam bem diferente.

E quanto a vocês? Qual é a sua casa em Hogwarts? Como foi que você descobriu que era dessa casa? Foi uma coisa fácil ou difícil de decidir? Não deixem de comentar!

porMelissa de Sá

Chique é ser inteligente (ou o que as revistas femininas fazem você acreditar)

Elas estão em toda parte: em salas de espera de médicos e dentistas, no salão de beleza, na biblioteca de escolas, na mesa daquela sua colega de escritório, dando sopa na cestinha de revistas de um banheiro. As revistas femininas tomam o mercado editoria com tiragens enormes, tudo isso apostando numa variedade absurda, que vai agradar vários gostos.

Para as mais sofisticadas, Marie Claire. Para as mais modernas e esportivas, Claudia. Para as mais comportadas, Criativa. Para as adolescentes mais saidinhas, Capricho. Para as adolescentes mais recatadas, Atrevida. E vão aí inúmeras outras. Variando a faixa, as capas sempre mostram uma celebridade maravilhosa com uma frase de impacto e os assuntos são os mesmos:

  • o que você deve vestir e que dieta você deve fazer para ficar em forma (Moda & Beleza);
  • o que você deve fazer para arrumar um namorado ou manter o seu namorado/marido/parceiro/peguete (Comportamento);
  • e o que você deve pensar (Carreira, Celebridades e Assuntos Polêmicos)

Todas elas têm uma única premissa: a mulher moderna e inteligente. Mas quem diabos é essa mulher?

A primeira foto que aparece no google images quando você digita "mulher moderna e inteligente". Pra quem não reconheceu, essa é a Katie Holmes, mulher do Tom Cruise. É, aquela mesma que não pode mais fazer cena de beijo por conta do maridão.

Basicamente a mulher moderna e inteligente domina 3 grandes aspectos da vida (e sim, já li essas revistas então posso falar):

  1. Ela é alta, magra, tem os cabelos impecáveis, veste-se com estilo, acompanhando todas as tendências da moda. Se a genética não permite, vamos apelar para as dietas loucas, saltos, itervenções cirúrgicas e tudo mais.
  2. Ela está sempre acompanhada. Se não tem namorado/marido/parceiro/peguete, sabe exatamente o que fazer para arranjar um. Tem todos os truques da sedução. Sabe de cor qual o melhor olhar para dizer que está a fim, sabe cruzar as pernas, sabe até aquela posição 57 tântrica que vai deixar qualquer um maluco. Se é casada, não dorme de blusão, só de lingerie sexy e badala com o maridão (sim, ele é um maridão) sempre. Se tem filhos, é uma super mãe. Leu todos os livros de psicologia infantil do momento, toma conta dos meninos, troca fralda enquanto aplica uma máscara nos cilhos.
  3. Ela tem um emprego sensacional. Mas não estamos falando aqui de um bom emprego. As mulheres modernas e inteligentes nunca são professoras, recepcionistas, biólogas ou analista de sistemas. Elas são designers, DJs, altas executivas, decoradoras, especialistas em look ou ocupantes de algum cargo impronunciável que você provavelmente não vai entender.

Em outras palavras: essa mulher não existe.

É isso mesmo, você que acreditou em tudo que as revistas te disseram e que está se matando para dar conta de tudo na sua vida, gastando seu salário em cosméticos e em roupas caríssimas. Respira. E não, nem a Katie Holmes é assim. Ninguém é asim porque isso é impossível. Quer uma prova?

Você acha essa mulher gorda ou “gordinha” (como dizem os eufemismos da vida)?

Pois de acordo como Google, ela é sim. Ao digitar “mulher gordinha” no Google aparece essa moça, modelo de plus size. Plus size? Gente, desde quando 42, 44 ou 46 virou plus size? Desde quando ser normal virou usar 34 e 36?

Agora vamos digitar “mulher” no Google. Olha só que aparece:

Olha que meigo. Magrinha, maquiada e com uma rosa na mão… Que é que andam te dizendo sobre você mesma, hein?

No mundo dito real ninguém consegue ter um super emprego, um super relacionamento e ser uma super mãe. Quem não consegue (ou seja, todo mundo) entra numa paranóia e se acha uma fracassada. Como assim eu não consigo trabalhar o dia inteiro, cuidar das crianças, andar super arrumada e fazer sexo loucamente com meu namorado/marido/parceiro/peguete? Eu sou uma fracassada!

Não, querida, você é mulher mesmo. Um ser humano. Que não dá conta de tudo. Que tem altos e baixos. Que às vezes vai super bem no trabalho mas a vida pessoal tá uma droga. Que às vezes dá atenção pros filhos mas tá cansada deles. Que às vezes tá numa maré ruim. E daí?

As revistas femininas vendem uma imagem de que a mulher moderna e inteligente é normal. Que ela tem que dar conta de tudo para ser realmente considerada mulher. Vendem a imagem que nós mulheres temos que ser a celebridade da capa. Mas olha só que coisa, se nem a celebridade da capa é perfeita…

Até que ponto todas aquelas dicas ali realmente estão pensando em você? A dieta é realmente para você baixar o nível de colestorol ou é pra você ficar mais parecida com a modelo? Aquela sequência de exercícios físicos é pra te tirar do sedentarismo ou é pra deixar a sua barriga tanquinho que nem a da Gisele? Aquele jeans realmente vai te fazer sentir mais confiante? E aquela posição 57, é realmente pra você aproveitar? E se é, por que o nome da matéria é 99 maneiras de deixá-lo louco?

Numa embalagem pseudo-feministas, essas revistas vendem uma mentira. E endossam ainda mais o ponto de vista de que para ser mulher você tem que casar com um cara lindo, que te diz o que fazer, ter um super emprego e ganhar muito dinheiro, cuidar dos filhos loucamente e andar na moda.

Ah, agora entendi porque a imagem da Katie Holmes apareceu.

Olha a famíla da mulher moderna e inteligente... *ligar a ironia aqui*

porMelissa de Sá

Minha Adolescência Clichê II

Sabe aquele esteriótipo da boa aluna que passa cola pros amigos, mata aula de Educação Física no banheiro feminino, leva bolada na cara no handball, usa uniforme quatro números maior que o necessário, não estuda pra prova mas tira nota alta, lê uma porrada de livros nas férias, gosta de bandas que ninguém conhece e tem um cabelo super cheio?

E eu também tinha (ainda tenho) dentes enormes! A diferença é que não, eu não fiquei fashion e bonitona que nem a Emma Watson...

Era eu!

Eu ainda não tenho certeza se sofri bullying na escola, mas algumas pessoas definitavamente me zuavam. Acho que a maioria dos professores gostava de mim e eu tinha amigos. Provavelmente assustava a maior parte dos meninos mas por mais incrível que pareça eu tive dois namorados na adolescência. O fato de eles terem feito um estrago na minha auto-estima é irrelevante. Ou não.

A verdade é que é estranho, aos quase 22 anos, olhar para os meus diferentes eus da adolescência. Aos 12 anos eu era definitavemente uma garota super confiante que não estava nem aí pra ninguém porque eu me achava bem legal. Já aos 14, minha auto-estima foi parar no pé e eu realmente fiz uma mexa vermelha no cabelo e comecei a andar com roupa preta. Aos 16 minha auto-estima melhorou e eu comecei a conviver com um grupo diferente de colegas, o que foi bom para minha habilidade de socialização. Tudo isso foi destruído aos 17.  Mas eu sempre sempre fui normalzona.

Quer dizer que nunca fiz nada incrivelmente doidão. Às vezes escuto algumas pessoas contando histórias incríveis de adolescência no estilo “saí de casa e voltei 5 dias depois de carona numa vã” ou “fui com um amigo pra uma boca de fumo e cheirei um troço estranho que me levou pro hospital mas eu contei pra minha mãe que tava com dor de barriga” e por aí vai. Eu fico pensando: onde vocês viveram? hahahahaha Porque eu, bem, eu era bem normal e a maior emoção da minha vida na época foi ter ganhado prêmios por escrever fanfics.

Aliás, por volta dos 15 anos minha vida era basicamente internet. Fóruns de Harry Potter, discutir Harry Potter, escrever Harry Potter. Isso era basicamente o que me fazia feliz. Porque era onde eu encontrava pessoas como eu, que não iam pra boca de fumo ou apareciam depois de dias na noitada (pelo menos não que eu saiba) e ainda por cima entendiam as minhas piadas. E bem, nada melhor naquela época do que receber o aviso de comentário do Fanfiction.net e alguém dizer que tinha chorado lendo uma fic minha ou morrido de rir.

Harry Potter acabou e esse tempo ficou para trás. Quer dizer, eu sempre vou tremer com uma referência a Ron/Hermione, sempre vou ser péssima em esportes, sempre vou gostar de bandas que ninguém conhece, sempre vou arrumar uma obcessão nova e meus dentes são grandes e não vão diminuir.

Alguém me diz o que isso quer dizer? hahahahaha

Eu só acho que se eu tivesse visto esse vídeo aos 14 anos, eu definitavemente teria me sentido menos sozinha.

Quem teve uma adolescência cliché e normal põe o dedo aqui que já vai fechar não adianta chorar nem espenear…

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