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porMelissa de Sá

Resenha de Filme: O Discurso do Rei

Seguindo nos meus comentários dos filmes indicados ao Oscar, vem agora O Discurso do Rei que, apesar de extremamente longo, consegue contar uma história sensível de superação e busca da identidade.

O então príncipe Albert de York (Colin Firth) sofre de uma gagueira incurável acompanhada de um temperamento nervoso e agressivo. Sua mulher, a princesa Elizabeth (Helena Boham Carter), é quem vai de terapeuta em terapeuta buscar algum tratamento para o marido. E eis que então ela encontra o controverso e pouco ortodoxo Lionel Logue (Geofrey Rush), um australiano famoso por curar problemas de fala aparentemente impossíveis.

Já nessa primeira cena do encontro da princesa com o australiano (e vamos lembrar que a Austrália na época era considerada o fim do mundo) podemos ver os costumes estranhos e o comportamento da família real britânica. É até assustador o fato de que os dois príncipes tenham aceitado o tratamento de Logue, que chamava o príncipe de Bertie e toca em assuntos super pessoais.

Aos poucos, o príncipe começa  a melhorar a gagueira, mas é então que um novo desafio aparece: seu irmão, feito rei após a morte do pai, resolve abdicar o trono para se casar com uma mulher divorciada. Albert é então forçado a assumir a coroa, mesmo com seus problemas para falar em público.

O nome assumido por ele em homenagem a seu pai é George VI, pai da atual rainha, Elizabeth II. O roteiro do filme foi feito por um dos netos de Logue, que adaptou tudo a partir das anotações e cartas entre o pai e o monarca inglês. Seguindo o estilo da cinebiografia ao lado de A Rede Social e 127 Horas, O Discurso do Rei perde no quesito impactos escandalosos, mas ganha em sensibilidade e emoção. Afinal, é importante lembrar que George VI foi rei durante a Segunda Guerra Mundial e tinha que fazer discursos não só para as forças armadas como também para o povo.

A amizade entre Logue e o rei é retratada de uma forma única por Geofrey Rush e Colin Firth e a indicação de ambos para a categoria Melhor Ator Coadjuvante e Melhor ator, respectivamente, são justificadíssimas. Inclusive, Colin Firth fez um gago perfeito, sem parecer falso ou exagerado. Imagino o quanto não deve ter sido difícil atingir esse ponto.

Recomendo o filme, mas já aviso para ter paciência: o filme é bem longo. Sem contar que o campeão de indicações ao Oscar e favorito a ganhar a estatueta de Melhor Filme.

 

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