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porMelissa de Sá

Desafio Literário 2: Semana 4

Pois é, já estou na quarta semana do meu segundo desafio literário. Vocês podem acompanhar o progresso das semanas anteriores aqui, aqui e aqui. Lembrando que é uma proposta que divido com a Karen, do blog Eu, Papel e Palavras.

Escrever um livro em pouco mais de um mês é uma experiência cheia de altos e baixos. Há dias de produção intensa e outros de pura letargia. Às vezes a escrita vem fácil, quase escorregando, outras vezes vem dura, exige muita lapidação. No entanto, o resultado é sempre positivo. O que não significa que fico sempre satisfeita com meu trabalho, mas me sinto feliz de estar trabalhando. É realmente o que eu amo fazer. E isso é uma coisa muito motivante.

Mas vamos ser realistas. Ler mais

porMelissa de Sá

Desafio Literário: Semana 3 (A Grande Final)

E o desafio literário chega ao fim. Foram três semanas e a proposta insana de escrever 10.000 palavras e tentar criar alguma disciplina. Comecei dia 9 de novembro e tive como data-limite o dia 30 de novembro. E quer saber, foi uma insanidade! hahahaha

Semana passada cheguei à conclusão que estava atrasada. Com pouco mais de 4000 palavras escritas eu tinha uma semana para escrever as quase 6000 restantes!

Nem precisa falar que foi desespero total. E eu tive que arrumar um jeito de cumprir o desafio. Eu PRECISAVA cumprir essa desafio pra provar a mim mesma que sim, é possível continuar escrevendo mesmo em meio à uma vida com trabalho, estudo, amigo, família, namorado, músicas e só sei lá mais o quê que uso como desculpa pra dizer não dá tempo pra escrever.

E a coisa andou assim:

24/11 – Escrevi 937 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA. (perceberam que eu só escrevo isso, né?)

25/11 – Nadinha.

Aí bateu uma sensação e resolvi que no sábado, dia 26, que precisava fazer alguma coisa. E foi aí que meu lado Sonserino entrou em ação.

*Slytherin mode on*

Isso é completamente desprezível. Como é que vocês desejam cozinhar a fama e engarrafar a glória se não conseguem cumprir um desafio mísero? Vão fazer o que agora, ir chorar como os bebês chorões que são?

Slytherin Mel: Pronto, pronto. Cheguei, galera. Vamos colocar ordem nessa porcaria.

Melissa cética: Olha, não dá mais tempo, querida. A gente fez o que podia, mas falhou.

*Melissa feliz chora num cantinho*

Slytherin Mel: O que?????????? Vocês vão aceitar perder assim????????? NO WAY!!!!!!! Nós vamos montar um esquema aqui e ganhar esse desafio. Melissa-cética, você vai dividir o número de palavras que faltam pelo número de dias restantes e vai supervisionar de perto a produção dessa porcaria. Como boas Lufas que são, vocês não vão trapacear, mas eu quero algo de qualidade e digno! Melissa-feliz, você vai dar o incentivo necessário a essa tarefa e controlar o pensamento musical do momento, minha filha, que não é hora disso não! Eu quero que você sinta o calor do deserto das cenas de FICÇÃO CIENTÍFICA, quero que escreva como nunca escreveu. Eu quero sofrimento, drama, dor, desespero, eu quero sentir aquelas duas mulheres andando no deserto como se elas estivessem na minha sala de estar!!!!!!!!!!!!!!

* Melissa-cética e Melissa-feliz vão correndo desesperadas enquanto Slytherin Mel supervisiona o trabalho *

Slytherin Mel: Esses fragmentos do diário estão um lixo, reescreve esse troço, galera!

26/11 – 909 palavras

Melissa Feliz: Poxa, mas rolou a reescrita de um fragmento inteiro…

Melissa Cética: Pára de reclamar, que a doida vai acabar ouvindo.

Slytherin Mel: Eu já ouvi!!!!!!!!!!!!!

27/11 – nope.

28/11 – 1713 de FICÇÃO CIENTÍFICA.

29/11 – 880 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA.

E finalmente chegou dia 30, o último dia. Faltavam ainda 1365 palavras para que o desafio fosse cumprido. E além dele, uma pilha de provas e meu último trabalho de graduação me encaravam.

Slytherin Mel: Poxa galera, eu fiz tudo que podia aí… Que coisa mais sacal. *Slytherin mode off*

Melissa Cética: Eu sabia que a gente não ia conseguir…

Melissa Feliz: Poxa, gente,  não desanima não. Ainda temos *olha no relógio* três horas pra terminar!

Melissa Cética: Uau! *ironia on*

Melissa Feliz: E eu sei exatamente o que a gente precisa.

Melissa Cético: Que o espírito de um falecido escritor de ficção científica baixe aqui? *ironia ainda on*

Melissa Feliz: Não… de uma coisa bem melhor…

Três horas?????? Três horas dá pra fazer muita coisa, gente. Sério. Vamos pensar juntos. É ficção científica. Duas mulheres no deserto. À noite. Huum... O que pode acontecer depois de uma grande cena de ação? Vamos lá! Juntem as cabeças e pensem!

*Hufflepuff monde on*

30/11, quase uma hora da manhã – 1402 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA.

Saldo parcial: 5841 palavras

Saldo total: 10034 palavras!!!!

Desafio cumpridooooooooooooooooooooooooooooooooo!

Yeah oh yeah oh yeaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! *Joan Jett style*

Aham aham aham

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuh!

*Hufflepuff mode off*

Estou muito feliz de ter cumprido essa desafio. Não só pelo prazer de cumpri-lo (adoro desafios, adoro listas de coisas pra fazer), mas de pensar que avancei muito em FICÇÃO CIENTÍFICA e avancei numa parte difícil da história, um momento daqueles mais denso e até meio paradão, mas que é necessário antes de grandes revelações e acontecimentos. Com certeza fiquei bem mais empolgada com essa história agora e consigo visualizá-la com mais clareza.

Mas fiquei decepcionada porque não consigui ter disciplina para escrever todos os dias. Por isso, apesar de não postar mais resultados aqui, vou me forçar pra manter a meta de 500 palavras por dia. Quero terminar FICÇÃO CIENTÍFICA no mês que vem!

Melissa Cética: E lá vem mais trabalho…

Melissa Feliz: Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh! Vai ser LEGAL! A gente chamar o Cedric e o Snape de novo?

Melissa Cética: Pervertida!

Obrigada  todos que deram apoio e acompanharam esse desafio, espero que vocês possam ler FICÇÃO CIENTÍFICA dentro de alguns meses. Ah, e não deixem de conferir a Ily e a Kakazinha em seus respectivos desafios também.

*saltinhos de alegria*

 

porMelissa de Sá

Desafio Literário: Semana 2

E o desafio literário que propus copiando descaradamente a Kakazinha Karen e a Iy Vânia chega a sua segunda semana. E o que temos aqui? ………………… Procrastinação feia!

Mas peraí, eu tenho justificativa!!!

Voz Melissa cética: Ah, deixa eu adivinhar… você tava cansada, trabalhando, se destraiu, foi namorar, saiu com amigos porque você merece, né, teve que acordar cedo pra ir pra aula…

Voz Melisa Feliz: Poxa, mas é verdade!

Voz Melissa cética: tsk tsk tsk Eu pensei que o motivo desse desafio era justamente arrumar um jeito de escrever em meio ao caos da rotina.

Voz Melissa Feliz: Mas… mas… mas

Números não mentem jamais. Então vamos lá.

16/11 – Nem uma linha.

17/11 – Zero.

Voz Melisa Feliz: Peraí que eu tenho uma justificativa pra esse dia.

Voz Melisa Cética: To ouvindo. *bocejando*

Voz Melisa Feliz: Eu tava muito musical nesse dia. Eu não conseguia pensar em nada, só nas músicas!

Voz Melisa Cética: Que pena que letra de música não conta, né? *mode ironia on*

18/11 – Neca de nada.

19/11 – E mais um monte de nada! Mas eu gravei o vídeo da uma música nova de Wizard Rock!!!! E ficou legal!!!

Voz Melisa Cética: Pára de se justificar!

20/11 – Sentei no computador e me forcei a escrever tipo 11 horas da noite por pura vergonha. E saíram 1514 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA. E gostei muito do que escrevi. Foram três terços de um capítulo que fala de um momente crucial na trama e o resultado ficou bom, do jeito que eu queria. Sinceramente, foi a melhor coisa que escrevi nos últimos tempos, acho que finalmente encontrei o tom certo pra o que tá acontecendo nessa história.

21/11 – E tava tudo indo tão bem… pena que caminhou pro grande vazio.

Total de palavras da semana: 1514 (das 3333 previstas rs)

Total parcial: 4193

Voz Melissa Cética: Estamos ferradas.

Voz Melissa Feliz (em posição fetal): Eu sei.

porMelissa de Sá

Chique é ser inteligente (ou o que as revistas femininas fazem você acreditar)

Elas estão em toda parte: em salas de espera de médicos e dentistas, no salão de beleza, na biblioteca de escolas, na mesa daquela sua colega de escritório, dando sopa na cestinha de revistas de um banheiro. As revistas femininas tomam o mercado editoria com tiragens enormes, tudo isso apostando numa variedade absurda, que vai agradar vários gostos.

Para as mais sofisticadas, Marie Claire. Para as mais modernas e esportivas, Claudia. Para as mais comportadas, Criativa. Para as adolescentes mais saidinhas, Capricho. Para as adolescentes mais recatadas, Atrevida. E vão aí inúmeras outras. Variando a faixa, as capas sempre mostram uma celebridade maravilhosa com uma frase de impacto e os assuntos são os mesmos:

  • o que você deve vestir e que dieta você deve fazer para ficar em forma (Moda & Beleza);
  • o que você deve fazer para arrumar um namorado ou manter o seu namorado/marido/parceiro/peguete (Comportamento);
  • e o que você deve pensar (Carreira, Celebridades e Assuntos Polêmicos)

Todas elas têm uma única premissa: a mulher moderna e inteligente. Mas quem diabos é essa mulher?

A primeira foto que aparece no google images quando você digita "mulher moderna e inteligente". Pra quem não reconheceu, essa é a Katie Holmes, mulher do Tom Cruise. É, aquela mesma que não pode mais fazer cena de beijo por conta do maridão.

Basicamente a mulher moderna e inteligente domina 3 grandes aspectos da vida (e sim, já li essas revistas então posso falar):

  1. Ela é alta, magra, tem os cabelos impecáveis, veste-se com estilo, acompanhando todas as tendências da moda. Se a genética não permite, vamos apelar para as dietas loucas, saltos, itervenções cirúrgicas e tudo mais.
  2. Ela está sempre acompanhada. Se não tem namorado/marido/parceiro/peguete, sabe exatamente o que fazer para arranjar um. Tem todos os truques da sedução. Sabe de cor qual o melhor olhar para dizer que está a fim, sabe cruzar as pernas, sabe até aquela posição 57 tântrica que vai deixar qualquer um maluco. Se é casada, não dorme de blusão, só de lingerie sexy e badala com o maridão (sim, ele é um maridão) sempre. Se tem filhos, é uma super mãe. Leu todos os livros de psicologia infantil do momento, toma conta dos meninos, troca fralda enquanto aplica uma máscara nos cilhos.
  3. Ela tem um emprego sensacional. Mas não estamos falando aqui de um bom emprego. As mulheres modernas e inteligentes nunca são professoras, recepcionistas, biólogas ou analista de sistemas. Elas são designers, DJs, altas executivas, decoradoras, especialistas em look ou ocupantes de algum cargo impronunciável que você provavelmente não vai entender.

Em outras palavras: essa mulher não existe.

É isso mesmo, você que acreditou em tudo que as revistas te disseram e que está se matando para dar conta de tudo na sua vida, gastando seu salário em cosméticos e em roupas caríssimas. Respira. E não, nem a Katie Holmes é assim. Ninguém é asim porque isso é impossível. Quer uma prova?

Você acha essa mulher gorda ou “gordinha” (como dizem os eufemismos da vida)?

Pois de acordo como Google, ela é sim. Ao digitar “mulher gordinha” no Google aparece essa moça, modelo de plus size. Plus size? Gente, desde quando 42, 44 ou 46 virou plus size? Desde quando ser normal virou usar 34 e 36?

Agora vamos digitar “mulher” no Google. Olha só que aparece:

Olha que meigo. Magrinha, maquiada e com uma rosa na mão… Que é que andam te dizendo sobre você mesma, hein?

No mundo dito real ninguém consegue ter um super emprego, um super relacionamento e ser uma super mãe. Quem não consegue (ou seja, todo mundo) entra numa paranóia e se acha uma fracassada. Como assim eu não consigo trabalhar o dia inteiro, cuidar das crianças, andar super arrumada e fazer sexo loucamente com meu namorado/marido/parceiro/peguete? Eu sou uma fracassada!

Não, querida, você é mulher mesmo. Um ser humano. Que não dá conta de tudo. Que tem altos e baixos. Que às vezes vai super bem no trabalho mas a vida pessoal tá uma droga. Que às vezes dá atenção pros filhos mas tá cansada deles. Que às vezes tá numa maré ruim. E daí?

As revistas femininas vendem uma imagem de que a mulher moderna e inteligente é normal. Que ela tem que dar conta de tudo para ser realmente considerada mulher. Vendem a imagem que nós mulheres temos que ser a celebridade da capa. Mas olha só que coisa, se nem a celebridade da capa é perfeita…

Até que ponto todas aquelas dicas ali realmente estão pensando em você? A dieta é realmente para você baixar o nível de colestorol ou é pra você ficar mais parecida com a modelo? Aquela sequência de exercícios físicos é pra te tirar do sedentarismo ou é pra deixar a sua barriga tanquinho que nem a da Gisele? Aquele jeans realmente vai te fazer sentir mais confiante? E aquela posição 57, é realmente pra você aproveitar? E se é, por que o nome da matéria é 99 maneiras de deixá-lo louco?

Numa embalagem pseudo-feministas, essas revistas vendem uma mentira. E endossam ainda mais o ponto de vista de que para ser mulher você tem que casar com um cara lindo, que te diz o que fazer, ter um super emprego e ganhar muito dinheiro, cuidar dos filhos loucamente e andar na moda.

Ah, agora entendi porque a imagem da Katie Holmes apareceu.

Olha a famíla da mulher moderna e inteligente... *ligar a ironia aqui*

porMelissa de Sá

Minha Adolescência Clichê II

Sabe aquele esteriótipo da boa aluna que passa cola pros amigos, mata aula de Educação Física no banheiro feminino, leva bolada na cara no handball, usa uniforme quatro números maior que o necessário, não estuda pra prova mas tira nota alta, lê uma porrada de livros nas férias, gosta de bandas que ninguém conhece e tem um cabelo super cheio?

E eu também tinha (ainda tenho) dentes enormes! A diferença é que não, eu não fiquei fashion e bonitona que nem a Emma Watson...

Era eu!

Eu ainda não tenho certeza se sofri bullying na escola, mas algumas pessoas definitavamente me zuavam. Acho que a maioria dos professores gostava de mim e eu tinha amigos. Provavelmente assustava a maior parte dos meninos mas por mais incrível que pareça eu tive dois namorados na adolescência. O fato de eles terem feito um estrago na minha auto-estima é irrelevante. Ou não.

A verdade é que é estranho, aos quase 22 anos, olhar para os meus diferentes eus da adolescência. Aos 12 anos eu era definitavemente uma garota super confiante que não estava nem aí pra ninguém porque eu me achava bem legal. Já aos 14, minha auto-estima foi parar no pé e eu realmente fiz uma mexa vermelha no cabelo e comecei a andar com roupa preta. Aos 16 minha auto-estima melhorou e eu comecei a conviver com um grupo diferente de colegas, o que foi bom para minha habilidade de socialização. Tudo isso foi destruído aos 17.  Mas eu sempre sempre fui normalzona.

Quer dizer que nunca fiz nada incrivelmente doidão. Às vezes escuto algumas pessoas contando histórias incríveis de adolescência no estilo “saí de casa e voltei 5 dias depois de carona numa vã” ou “fui com um amigo pra uma boca de fumo e cheirei um troço estranho que me levou pro hospital mas eu contei pra minha mãe que tava com dor de barriga” e por aí vai. Eu fico pensando: onde vocês viveram? hahahahaha Porque eu, bem, eu era bem normal e a maior emoção da minha vida na época foi ter ganhado prêmios por escrever fanfics.

Aliás, por volta dos 15 anos minha vida era basicamente internet. Fóruns de Harry Potter, discutir Harry Potter, escrever Harry Potter. Isso era basicamente o que me fazia feliz. Porque era onde eu encontrava pessoas como eu, que não iam pra boca de fumo ou apareciam depois de dias na noitada (pelo menos não que eu saiba) e ainda por cima entendiam as minhas piadas. E bem, nada melhor naquela época do que receber o aviso de comentário do Fanfiction.net e alguém dizer que tinha chorado lendo uma fic minha ou morrido de rir.

Harry Potter acabou e esse tempo ficou para trás. Quer dizer, eu sempre vou tremer com uma referência a Ron/Hermione, sempre vou ser péssima em esportes, sempre vou gostar de bandas que ninguém conhece, sempre vou arrumar uma obcessão nova e meus dentes são grandes e não vão diminuir.

Alguém me diz o que isso quer dizer? hahahahaha

Eu só acho que se eu tivesse visto esse vídeo aos 14 anos, eu definitavemente teria me sentido menos sozinha.

Quem teve uma adolescência cliché e normal põe o dedo aqui que já vai fechar não adianta chorar nem espenear…

porMelissa de Sá

Resenha de Filme: 127 Horas

Depois de ter assistido ao fantástico Cisne Negro, achei que nada poderia mexer comigo esse ano em termos de cinema. Isso até conferir o inacreditável 127 Horas, do diretor Danny Boyle, estrelando James Franco no papel principal.

O filme é baseado numa histórica verídica. E só isso já é suficiente para arrepiar qualquer um. No entanto, diferente de outras cinebiografias, o filme não ficou piegas nem pintou o personagem principal como um grande herói. Pelo contrário, o drama foi feito na medida certa, sem despencar pro melodrama e evitando qualquer heroísmo injustificado. E vamos agradecer à brilhante edição e montagem por isso porque segura durante quase duas horas uma história que tem basicamente um único cenário e um único ator.

E vamos à história. Aron Ralston, ex-engenheiro mecânico que decidiu largar uma carreira brilhante para se dedicar à sua paixão por aventuras (especialmente alpinismo), vai passar um fim de semana (em Maio de 2003) nos canyons do estado americano de Utah. Ralston faz tudo: mountainbike, alpinismo, natação, descidas perigosas em fendas. Tudo mesmo. Ele não tem medo de nada, se cai e machuca, levanta e continua. Um cara super bem-humorado e simpático, mas que acha que pode fazer tudo isso sozinho. Durante uma descida entre rochas do canyon, acontece um deslizamento e uma rocha imensa esmaga o braço direito de Ralston. E ele fica preso, totalmente isolado, no interior da fenda. Pior: ele não avisou a ninguém para onde estava indo. Como diz o próprio Ralston: “Oops”.

Essa é a posição em que Ralston ficou durante 127 horas. Sua mão direita foi completamente esmagada pela pedra.

James Franco, conhecido principalmente pela sua atuação como o Harry da trilogia Homem Aranha surpreendeu ao mostrar todo seu potencial como ator. Ele consegue transmitir todo o desespero de Ralston mas ainda mantendo o bom humor e o otimismo (características essenciais de Ralston como pessoa) sem soar falso ou ridículo. Na tela praticamente 95% do tempo de filme sozinho, James Franco mereceu sem sombra de dúvida sua indicação ao Oscar de Melhor Ator de 2011. E seria justíssimo que o moço levasse a estatueta para casa.

A trama mexe com o espectador. Contando com apenas meio litro de água, um canivete-alicate cego, uma mochila com dois pacotinhos de comida, algumas cordas de alpinismo, uma câmera de vídeo e outra fotográfica, Ralston tenta sair da situação. E o cara tenta de tudo. Empurrar a pedra, mover a pedra, escavar a pedra, içar a pedra. E ele não desiste.

A partir de agora esse post pode conter spoilers. Se você não gosta de spoilers ou não quer saber o final do filme, não leia.

Por conta da privação de comida e água, Ralston tem várias alucinações. E elas ficaram perfeitamente encaixadas no roteiro, que por falar nele, é primoroso. Amarradinho, totalmente justificado, não nos assustamos com as ações do protagonista, pois tudo foi embasado e mostrado anteriormente. Vale levar o Oscar de Roteiro Adaptado também. (A história foi adaptada pelo diretor a partir do livro Between a Rock and a Hard Time escrito pelo próprio Aron Ralston).

 

Cenas da câmera do próprio Aron quando esteve preso. O filme captou direitinho até mesmo a luz e o ângulo da câmera.

É impressionante ver como Ralston não desiste. E principalmente, como ele não pensa em suicídio. Com tanta corda disponível, a maioria das pessoas provalmente pensaria em se enforcar, mas o cara aguenta firme, sempre pensando numa saída. E ele passa horas tentando. Dias tentando. E enquanto não tenta, ele repensa sua vida e suas atitudes. Até que durante o último dia, ele reconhece suas próprias fraquezas de uma forma emocionante. Ele diz: “Essa pedra me esperou a vida inteira. Tudo que fiz em minha vida me levou a esse lugar”. Vendo a si mesmo como um cara egoísta e egocêntrico, Aron percebe que aquele era o lugar perfeito para descobrir que não se pode fazer nada sozinho.

Desesperado depois de tentar de tudo e morrendo de desidratação, ele tem uma alucinação muito forte: vê a si mesmo no fundo da caverna com um menino que aparentemente era seu filho (lembrando que Aron não tinha filhos). Decidido a não desistir, Ralston percebe o único jeito de sair dali: amputar o próprio braço com o canivete cego.

Nem preciso dizer que a cena é horrível. Pessoalmente, eu não vi. Fechei o olho que nem criança mesmo e só abri depois que acabou. Para conseguir, ele quebrou os dois ossos (ulna e tíbia) e saiu dilacerando o resto sem desmaiar. Claro que vale lembrar que Ralston sabia o que estava fazendo. Ele sabia exatamente onde cortar e tinha feito um torniquete. Então o cara não era assim um zé do nada. Digo que é uma cena muito muito forte e realista e que só pessoas de estômago forte deveriam ver. Sério mesmo.

Depois disso ele tira uma foto do lugar e agradece a experiência. O.O Escala a fenda até a superfície, anda cerca de 12km até encontrar uma família que lhe dá água e corre para chamar o resgate. Mas mesmo assim Aron ainda tem que andar alguns quilômetros até que o elicóptero chegue. Chocante? Chocante.

É absurda a vontade de viver desse homem que andou até o hospital e apontou o lugar onde esteve num mapa. (essa informação não está no filme e sim relatada em seu livro. Para ver:
http://www.spirituallyfit.com/volume5/issue2/stories/aron1.htm ou
http://gc009.k12.sd.us/climb_utah.htm) Vale contar também que até hoje ele pratica esportes radicais, mesmo com a ausência do braço direito.

Enfim, um filme excelente, maravilhoso e muito, muito sensível. Eu recomendo muito para todos (é só não ver a cena da mutilação). Alta qualidade em roteiro, direção, direção de arte, trilha sonora e atuação. Merece sim muitas estatuetas!

 

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