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porMelissa de Sá

Resenha de Filme: X-Men: Primeira Classe

Depois de X-Men 1, 2 e 3 e de X-Men Origens: Volverine, temos mais um filme da franquia: X-Men Primeira Classe. Depois de meses sem ir ao cinema ou escrever sobre cinema, lá fui eu assistir um filme nota 7.

Primeiramente, temos que levar em conta que não é muito esforço fazer um filme mediano sobre X-Men. A trama em si já muito boa e inteligente por si só e por mais medíocre que a adaptação seja, vai ser minimamente interessante. Mais ainda se é uma história que promete investigar o passado de personagens super favoritos da série como o Professor X e o Magneto.

A escolha dos atores foi boa mas ainda acho que Michael Fassbender não me passa de jeito nenhum uma imagem de Magento. Além de ele parecer bem mais velho que Charles (sendo que a diferença deveria ser de apenas alguns anos), ele fica mais pra um bad guy ao estilo Volverine. Depois de ter o classudo Ian McKellen no papel, eu simplesmente esperava alguém mais elegante.

A caracterização dos personagens também deixou a desejar. Não há muito aprofundamento em ninguém, só no desejode vingança de Eric (Magneto) e mesmo assim de um jeito muito plano e pouco complexo. Charles também é um chato, sem qualquer profundidade e a relação entre os dois parece brotar do chão: de uma hora pra outra viram os super amigos.

Essa falta de exploração de personagens foi o que me decepcionou no filme. Afinal, explorar os motivos dos personagens não é justamente a razão de fazer um filme tipo esse? Quer dizer, vamos pensar em Star Wars e os episódios que contam o drama Obi Wan Kenobi e Anakin… tem que ter drama, tem que explorar! Infelizmente X-Men Primeira Classe perdeu grandes oportunidades deixando de lado personagens cheias de potencial como a Mística e a Fera, segregados à pequenas cenas.

Nem tudo é ruim, claro. As cenas de ação são bem feitas e não cansam, o vilão é interessante, os efeitos especiais são ótimos. Mas de que vale isso sem aprofundamento de personagem? Foi mal, galera, mas eu sou a fã mor de um drama psicológico.

Um bom filme, legal pra ver num fim de semana, de ir curtir no cinema com todo o esquema de som e talz, mas não espere demais. O filme promete mostrar a tal primeira classe mas dá um tiro no pé.

porMelissa de Sá

Apostas para o Oscar 2011 [E resultados do Oscar 2011]

É hora de fazer as apostas da noite! [Em vermelho os comentários sobre os resultados da noite de ontem atualizados]

Esse ano estou mais empolgada para acompanhar a premiação pelo fato de ter visto grande parte dos filmes que estão concorrendo às principais categorias. Um jeito bacana de conhecer os indicados é pelo Infográfico do IG. Só clicar para ter um panorama geral. Se quiser resenhas dos filmes, é só clicar aqui. [É, como sempre, a gente fica meio decepcionado, mas vá lá]

Então vamos lá:

Melhor filme
“Cisne Negro”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“A Origem”
“O Discurso do Rei” [VENCEU]
“O Vencedor”
“127 Horas”
“Minhas Mães e Meu Pai”
“Inverno da Alma”

O melhor filme dessa lista na minha opinião é Cisne Negro. No entanto, pensando racionalmente, O Discurso do Rei é o filme com mais chances de ganhar. Se bem que se fosse pra seguir o coração, eu daria para 127 Horas ou para Toy Story 3 (imagina uma animação ganhando o Oscar?).

Como já era esperado, O Discurso do Rei saiu como o grande premiado da noite. É um filme muito bom, com atuações excelentes e tem mesmo a cara do Oscar: realeza, pessoas de temperamento difícil, situações políticas pseudo-gloriosas e uma grande amizade inesperada.

Melhor direção
Darren Aronofsky, “Cisne Negro”
David Fincher, “A Rede Social”
David O. Russell, “O Vencedor”
Tom Hooper, “O Discurso do Rei”
Joel Coen e Ethan Coen. “Bravura Indômita”

Darren Aronofsky merece porque Cisne Negro é simplesmente brilhante! Uma concepção genial de filmagem. Mas como Oscar é Oscar, é capaz de Tom Hooper ganhar com seu filme mais tradicional ou até o hypado David Fincher.

Oscar é Oscar. E foi Tom Hooper mesmo. Como eu disse antes, é um filme muito bom, mas não tem um trabalho de direção assim tão brilhante. Mas valeu.

Melhor ator
Javier Bardem, “Biutiful”
Jeff Bridges, “Bravura Indômita”
Colin Firth, “O Discurso do Rei” (VENCEU)
James Franco, “127 Horas”
Jesse Eisenberg, “A Rede Social”

Seguindo o coração, eu daria para James Franco por conta da atuação espetacular em 127 Horas. Mas quem leva provavelmente é Colin Firth que interpretou o rei George VI com uma gagueira incrivelmente verossímel.

Tadinho do James Franco… Inclusive achei a apresentação dele no Oscar bem mortinha. Anne Hathaway roubou a cena. Acho bem merecido o Oscar do Firth, que inclusive tinha perdido o Oscar do ano passado para o Jeff Brigdes. Pois é, e agora ele se vingou deixando o Jeff na cadeira. aha!

Melhor atriz
Annette Bening, “Minhas Mães e Meu Pai”
Natalie Portman, “Cisne Negro” (VENCEU)
Nicole Kidman, “Reencontrando a Felicidade”
Jennifer Lawrence, “Inverno da Alma”
Michelle Wiliams, “Namorados Para Sempre”

Natalie Portamn sem sombra de dúvida! A atuação dela é de arrepiar, de uma qualidade impressionante. Fazia tempo que eu não via uma coisa tão intensa no cinema. Se não for pra ela, vai ser uma injustiça!

Essa era a minha certeza e se ela não ganhasse, putz, ia ser o fim. Realmente, uma atuação brilhante. E que lindo discurso ela fez. Raro de se ver. Fora que ela estava linda grávida. *momento totalmente girly on*

Melhor ator coadjuvante
Geoffrey Rush, “O Discurso do Rei”
Christian Bale, “O Vencedor”
Jeremy Renner, “Atração Perigosa”
John Hawkes, “Inverno da Alma”
Mark Ruffalo, “Minhas Mães e Meu Pai”

O favorito é Christian Bale, mas não vi o fime então não posso falar. Acho a indicação do Mark Ruffalo um exagero: nem foi tão incrível assim nada. Minha aposta é no Geoffrey Rush que foi brilhante.

Pois é, não vi o filme. Mas dizem que o Bale tá muito bem. Sei lá, eu tenho uma birra com o cara que dizem ser um grosso com todo mundo: diretor, atores, produtores, empregados, presidentes, rs.

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo, “O Vencedor”
Amy Adams, “O Vencedor”
Helena Bonham Carter, “O Discurso do Rei”
Hailee Steinfeld, “Bravura Indômita”
Jacki Weaver, “Animal Kingdom”

Não assisti ao filme, mas ponho fé na Hailee Steinfeld que só pelo trailer mostrou ser uma atriz sensacional. Sem contar que essa bobagem do Oscar não premiar atores mirins é ridículo, né?

Atores mirins? Nunca serão. É tipo uma maldição. Mas a Melissa Leo ficou tão feliz que eu até comecei a gostar do resultado. Sério mesmo, simpatizei com a moça.

Melhor animação
“Toy Story 3” (VENCEU)
“Como Treinar o Seu Dragão”
“O Mágico”

Sem sombra de dúvida é Toy Story 3. Não precisa nem discutir.

Não precisa discutir mesmo.

Melhor roteiro original
“Minhas Mães e Meu Pai”
“A Origem”
“Another Year”
“O Vencedor”
“O Discurso do Rei”

A Origem. Muito bem bolado. Mas como o Oscar é tradicional, vai dar O Discurso do Rei. Mas queria que fosse A Origem.

Pois é, eu meio que já esperava isso. Mas é um roteiro bom, com certeza, bem bolado, bem escrito. Só achei o filme muito longo. Único defeito.

Melhor roteiro adaptado
“127 Horas”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“Inverno da Alma”

Se eu tentei ser racional no Roteiro Original, não vou ser nesse. 127 Horas mexeu muito comigo.

PQP!!!! Não concordo de jeito nenhum com esse. Okay, Rede Social é legal mas não tem o roteiro mais fantástico de todos nem passando longe. Pelamor!

Melhor filme estrangeiro
“Fora da Lei” (Argélia)
“Incêndios” (Canadá)
“Em Um Mundo Melhor” (Dinamarca)
“Dente Canino” (Grécia)
“Biutiful” (México)

Não vi, então não vou palpitar.

Melhor documentário
“Lixo Extraordinário”
“Trabalho Interno”
“Exit Through the Gift Shop”
“Gasland”
“Restrepo”

Não vi, então também não falo nada.

Melhor trilha sonora
Hans Zimmer, “A Origem”
Trent Reznor e Atticus Ross, “A Rede Social”
Alexandre Desplat, “O Discurso do Rei”
John Powell, “Como Treinar o seu Dragão”
A.R. Rahman, “127 Horas”

Gosto muito das trilhas do Hans Zimmer, mas a trilha de 127 Horas foi montada de uma forma muito bacana, mesclando elementos originais com músicas já existentes.

PUTA QUE PARIU! Foi mal pelo palavrão, mas ninguém merece esse resultado. Rede Social tem trilha sonora significativa???? Alguém viu o mesmo filme que eu? Diz que foi uma piada, vai.

Melhor canção original
“Coming Home”, de “Country Strong”
“I See the Light”, de “Enrolados”
“If I Rise”, de “127 Horas”
“We Belong Together”, de “Toy Story 3”(VENCEU)

WE BELONG TOGEEEEEEEEEEEEEEEEEEETHER. Essa música é de chorar, então… sem comentários.

Impressionante mesmo foi ouvir o cara dizer que já cantou mais de 20 vezes naquele palco. Agora, se a Gweneth Paltrow tivesse ganhado eu ia desligar a televisão. Sério. Quem diz que essa mulher canta? Que puxação de saco!

Melhor edição
“127 Horas”
“Cisne Negro”
“A Rede Social”
“O Discurso do Rei”
“O Vencedor”

Achei a edição muito bacana, segurou a onda de um filme que tem praticamente um ator e um cenário.

Que que foi isso? Sério, que que foi isso? Se tem uma coisa que não é legal nesse filme é a montagem. Sério, se mata. Acho que foi o Oscar mais mal dado de todos.

Melhor fotografia
“A Origem”
“Cisne Negro”
“A Rede Social”
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”

Cisne Negro é lindo. A fotografia consegue transparecer todo o sofrimento de Nina.

Fiquei surpresa, mas gostei. A fotografia é boa mesmo.

Melhor figurino
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“Alice no País das Maravilhas”
“I am Love”
“The Tempest”

Aposto no Western Bravura Indômita.

Um tanto exagerado, mas tudo bem. Okay.

Melhor direção de arte
“Alice no País das Maravilhas”
“A Origem”
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Aeh, porque esse filme foi bom, né? Finalmente!

Nesse quesito acho que eles não escolheram a melhor direção de arte e sim o filme que tinha MAIS direção de arte. Que exagero!

Melhor mixagem de som
“Salt”
“A Origem” (
VENCEU)

“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”

A Origem dá um show nesse quesito. Imagino que no cinema deve ter sido melhor ainda.

Melhor edição de som
“Toy Story 3”
“Tron – O Legado”
“A Origem” (VENCEU)
“Bravura Indômita”
“Incontrolável”

Qual diferença de Edição e Mixagem de Som? *ignorante* Mantenho o voto anterior. O google me disse que Mixagem de Som leva em conta todo o som do filme e seu equilíbrio, ou seja, barulhos, ruídos, diálogo, explosões. Já a edição de som fica com o barulho isolado, sem levar em conta o conjunto.

Melhor maquiagem
“O Lobisomem”(VENCEU)
“Caminho da Liberdade”
“Minha Versão para o Amor”

Foi o único que vi, então…

Melhores efeitos visuais
“Além da Vida”
“A Origem” (VENCEU)
“Homem de Ferro 2”
“Alice no País das Maravilhas”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Por mais tiete que eu seja, não vou votar em HP. Aquela luta sem gravidade de A Origem é muito bacana. E olha que eu não curto cenas de luta!

Eh, não tem como competir com cena de luta em gravidade zero.

Melhor curta-metragem
“The Confession”
“The Crush”
“God of Love”
“Na Wewe”
“Wish 143”

Não vi nenhum.

Melhor documentário em curta-metragem
“Poster Girl”
“Strangers no More”
“Killing in the Name”
“Sun Come Up”
“The Warriors of Qiugang”

Também não vi.

Melhor curta-metragem de animação
“Day & Night”
“Let’s Pollute”
The Lost Thing”
“The Gruffalo”
“Madagascar, Carnet de Voyage”

Não vi menos ainda.

Então, essas são minhas apostas. E vocês? Não deixem de comentar.

Até que não chutei mal. Mas fiquei revoltada com os prêmios de A Rede Social. Foi justo nas categorias que não merecia.

 

porMelissa de Sá

Resenha de Filme: A Origem

Extremamente inteligente e bem montado, A Origem é um filme obrigatório para qualquer fã de ficção científica. Assinado pelo diretor Christopher Nolan e estrelando Leonardo di Caprio e Ellen Page no elenco, o filme concorre ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Efeitos Visuais. (Para ler sobre outros filmes indicados ao Oscar 2011, clique aqui).

Dom (Leonardo di Caprio) é o melhor no que faz: entra nos sonhos das pessoas e rouba informações importantes de seus subconscientes. Sua técnica é primorosa: usa arquitetos para criar verdadeiras cidades imaginárias, químicos para sedar as vítimas, falsificadores para enganar a mente e até mesmo armadores somente para preparar armadilhas.

No entanto, Dom esconde de sua equipe que é atormentado pela lembrança da ex-mulher, Mal, e que é por causa dela que sua engenharia de sonhos não tem funcionado tão bem assim ultimamente. Mas é durante um desses mal-sucedidos trabalhos que recebe a chance única de sua vida: voltar para casa.

O filme é daqueles que você deve prestar atenção do início ao fim para não perder informações importantes. Cada detalhe é crucial. O roteiro é intrincado e super bem amarrado, contando com personagens bem desenvolvidas e trabalhadas.

As cenas de ação não são longas, o que para mim é sempre uma vantagem. E o drama é na medida certa, sem despencar para o melodrama exagerado. A atuação de Ellen Page também dá um gostinho a mais nesse quesito.

Na briga pelo Oscar, talvez tenha a chance de levar os prêmios técnicos e o Melhor Roteiro. Mas com certeza é um daqueles filmes geniais que dá vontade de assistir mais de uma vez.

porMelissa de Sá

Resenha de Filme: Minhas Mães e Meu Pai

O Oscar é hoje mas ainda estou firme na minha missão de comentar o maior número de filmes possíveis que concorrem às principais categorias. (Para ler as outras resenhas, clique aqui). E o filme da vez é a comédia Minhas Mães e Meu Pai, da diretora Lisa Cholodenko, estrelando nos papéis principais Annette Benning e Julianne Moore.

Ao contrário do que está escrito no cartaz oficial (clique na foto para ampliar), o filme é um retrato perfeito de uma família convencional. O fato da família ter um casal lésbico não influencia em nada a dinâmica pais-e-filhos, nem mesmo a dinâmica marid0-e-mulher. Os dramas vividos por Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) são comuns a praticamente todas as famílias modernas: filhos rebeldes, diálogo difícil mesmo que os pais tentem uma abertura, dúvidas, filhos siando de casa, dificuldade de lidar com o cotidiano, filhos com amigos que não são uma boa influência, dificuldade em manter a relação amorosa saudável, etc.

A trama começa quando Laser (sim, o nome do garoto é Laser) pede à irmã mais velha Joni (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas) que ligue para o doador de esperma de suas mães. Os dois são mei0-irmãos pois suas respectivas mães usaram o esperma do mesmo doador, Paul (Mark Ruffalo). Paul é dono de um restaurante que utiliza ingredientes orgânicos que ele mesmo planta e leva uma vida um tanto assim na boa, sem muitas preocupações. Desejoso de ter uma família, aceita conhecer Joni e Laser e mostra interesse em manter uma relação com os dois.

Obviamente, as mães não gostaram da idéia e logo começa uma verdadeira tensão na casa de Nic e Jules que se vêem ameaçadas pela presença de Paul. No entanto, a mãe que mais sente a situação toda é Nic, uma médica bem sucedida e durona que gosta de manter tudo sob controle. Vale lembrar que Annette Benning fez render os momentos mais emocionantes do filme e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz é mais que merecida, diferentemente da indicação de Mark Ruffalo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante; não achei que foi tão incrível assim nada.

Os dramas familiares são mostrados de uma forma muito sensível e o filme faz pensar em algumas questões permanentes como: até que ponto pode-se interferir na vida dos filhos? Quando é que percebemos que uma relação está indo de mal a pior? Qual é o limite do ciúme? Isso tudo, sem esquecer, é claro, de alguns momentos muito engraçados.

O filme está indicado para a categoria Melhor Filme, mas duvido que vá levar, ainda mais com outros filmes com muito mais peso na parada. Não que não seja um ótimo filme, porque é, mas simplesmente porque o páreo está duro. Talvez possa levar a estatueta de Melhor Roteiro Origial, como aconteceu com a comédia de mesma linha, Juno.

Recomendo muito, principalmente para quem gosta desse estilo de filme comédia-drama-caótico. Com certeza um dos melhores do ano. Ah, e a trilha sonora também não deixa a desejar, ótima para colocar num Ipod ou MP3.

 

porMelissa de Sá

Resenha de Filme: Cisne Negro

Intenso. Assustador. Brilhante. Essas são palavras mais que adequadas para definir Cisne Negro, novo filme do diretor Darren Aronofsky, que tem no elenco Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder e Vincent Cassel.

A trama conta a história de Nina Sayers (Natalie Portman), uma bailarina extremamente dedicada que sonha com um papel de destaque na companhia de balé de Nova York. A chance aparece quando o diretor da companhia, Thomas Leroy (Vincent Cassel), concede a ela o posto de primeira bailarina em O Lago dos Cines, de Tchaikovsky. Como é comum neste balé, a mesma bailarina que interpreta Odete – a princesa amaldiçoada a viver como um cisne todas as noites – também interpreta Odile – a irmã luxuriosa que seduz o amado de Odete. Para Nina, viver a frágil Odete não é um problema, mas fazer vir à tona o Cisne Negro (Odile) é uma tarefa que exigirá dela muito mais do que apenas dedicação.

Nina é obcecada pela perfeição. Em uma de suas falas ao diretor Thomas, logo após ele ter reprovado seus movimentos, ela diz: “Quero ser perfeita”. É então que Thomas a rechaça dizendo que no balé não é apenas técnica que conta mas também entrega ao papel. Nina, no entanto, é solitária, super-protegida por uma mãe que lembra muito a mãe de Carrie, a Estranha, totalmente imatura, que sofre de bulimia e fobia social. A presença de Lily (Mila Kunis), nova bailarina chegada de São Francisco tem um efeito aterrorizante em Nina, que se sente ameaçada pela presença sensual e forte de Lily.

O filme corre num ritmo que mistura suspense e terror psicológico. Em certo ponto da narrativa, não sabemos ao certo se o que acontece na tela é fruto da mente obcecada de Nina ou realidade ou uma mistura dos dois. E aí está o grande triunfo do filme: a ambiguidade. Extremamente focado em sua personagem central, o espectador entra na mente de Nina, perdendo contato com a realidade exterior. E a atuação brilhante de Natalie Portman somente reforça essa impressão.

Indicada ao Oscar e vencedora do Globo de Ouro, Portman foi incialmente criticada por levar à frente um papel um tanto fora do esquema tradicional do Oscar em Hollywood contendo cenas de masturbação e sexo lésbico. No entanto, a atriz levou o trabalho a sério e protagonizou cenas brilhantes que não ficaram despropozitadas como acontece em muitos filmes por aí que inserem esse tipo de sequência apenas para ser “picante”. A preparação para o filme começou um ano antes das filmes. A atriz teve que perder peso e aprender a dançar. Ela treinava cerca de seis horas por dia com Mary Hellen Bowers num esquema que incluía exercícios físicos pesados e aulas de dança. Sobre o treinamento, Portman diz:

Comecei com minha treinadora de balé um ano antes das filmagens, partimos do básico. Nós treinávamos duas horas por dia pelos primeiros seis meses e isso foi uma ótima preparação para que eu fizesse mais, assim eu não me machucaria. Depois dos seis meses nós começamos a fazer cinco horas por dia. Adicionamos natação, eu nadava 1,6 Km por dia, tonificação e depois fazíamos três horas de aula de balé por dia. Aí, dois meses antes das filmagens, nós adicionamos a coreografia, então fazíamos por volta de oito horas por dia. A disciplina física ajudou muito na parte emocional da personagem, pois você tem um sentimento do estilo de vida monástico de só malhar, essa é a vida de uma dançarina de balé. Você não bebe, não sai com amigos, não come muito e submete seu corpo à dor extrema, então você acaba entendendo a auto-flagelação de uma dançarina de balé.

http://www.omelete.com.br/cinema/cisne-negro-omelete-entrevista-darren-aronofsky-e-natalie-portman/

O mundo do balé é tratado com uma crueza assustadora. O sacrifício das bailarinas, o medo de envelhecer e ser posta de lado, os assédios físicos e morais infligidos pelos treinadoras mais a constante pressão para dar o melhor e somente o melhor marcam o clima tenso no filme todo. Inclusive com direito a cenas de pés maltrados, unhas caindo, costelas deslocadas, etc.

O filme funciona também como uma releitura de O Lago dos Cisnes. A trilha sonora que conta com trechos da peça ajuda a compor a dualidade de Nina. Fora a questão do duplo que é abordada de maneira primorosa pela direção de arte e pela edição.

Pessoalmente, foi o melhor filme que vi nos últimos tempos, daqueles que faz a gente pensar por dias a fio. Com um final primoroso, Cisne Negro é com certeza um dos melhores filmes já feitos sobre o mundo do balé e da dança e sem sombra de dúvida, a melhor atuação de Natalie Portman. Não vejo como ela não vá ganhar o Oscar.

 

 

porMelissa de Sá

Resenha de Filme: A Rede Social

Assisti esse filme já faz um tempo, mas agora que ele arrebatou 4 Globos de Ouro incluindo Melhor Filme Dramático e Diretor, encontrei a desculpa que precisava para comentar.

A Rede Social conta a história da criação do Facebook, provavelmente a maior rede de relacionamento do mundo, desde sua concepção pelo então aluno de Harvard Mark Zuckerberg.

Baseado no livro Bilionários Por Acaso, a trama mostra Zuckerberg de um modo menos heróico e revolucionário e mais sacana e obscuro. Li alguns posts em blogs que reclamavam do filme, dizendo que não conseguiam se identificar com o personagem principal porque ele mal fala e é um idiota. Bem, acho que essa é a idéia que o filme quis realmente transmitir. A de um cara isolado, ambicioso, que se acha o máximo, que um dia brigou com a namorada, resolveu sacanear e criou o Facebook.

O ritmo do filme é excelente. Entrecortado por depoimentos de pessoas que processaram Zuckerberg por plágio e copyright, o espectador é levado pelo drama de Eduardo Saverin, pela depressão de Mark Zuckerberg e até por algumas cenas de comédia protagonizadas pelos gêmeos e pela namorada de Saverin. O timing é perfeito e a trilha sonora ajuda a criar o clima nerd e tecnológico que permeia todo o filme.

O grande conflito do filme, a meu ver, é muito mais a amizade entre Mark e Eduardo do que uma briga judicial.

Achei que o filme foi dramático e intenso onde precisava e retratou de uma forma bem interessante o universo acadêmico e nerd que envolvia os personagens. No entanto, é importante lembrar que apesar de ser baseado em uma história real, o livro que deu origem ao filme é baseado nos relatos de Saverin e dos gêmeos, ou seja, não temos acesso à versão de Mark Zuckerberg. E o filme mostrou isso de uma forma brilhante. Zuckerberg é calado, não sabemos ao certo o que ele pensa. O protagonisa é justamente a lacuna que falta e o diretor soube usar isso a seu favor.

Os atores também foram bem escolhidos. Dou um destaque para Andrew Garfield como Eduardo Saverin. Achei que ele deu a sensibilidade que o personagem exigia. Justin Timberlake como Sean ficou tão destestável, que foi perfeito também.

Recomendo para quem gosta de filmes longos e diálogos extensos. Se você não tem paciência com esse tipo de filme, esqueça!

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