Top 7 Compositores Favoritos

porMelissa de Sá

Top 7 Compositores Favoritos

Nada como alguém que sabe escrever uma bela canção.

Escrever músicas, essa arte difícil e ingrata, nem sempre reconhecida como deveria. Nesse post de hoje, vou falar dos meus songwriters (o termo compositor em português é tão estranho) favoritos, aqueles que escuto sempre e que inclusive são inspiração para o que escrevo.

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Quer saber quem são os meus compositores do coração?

Em primeiro lugar: toda lista é injusta e escolhi os 7 (número mágico!) que escuto até hoje, que escuto sempre, que escuto quando escrevo, que escuto quando estou triste ou feliz. Existem inúmeros outros que considero mais ou até igualmente talentosos que esses aqui, mas ficaram de fora pelo simples motivo de não moverem meu coração tanto assim.

Acho que seria impossível colocar esse pessoal todo num ranking, então decidi pela ordem de chegada. Quem ouvi primeiro. O resultado foi uma viagem musical bastante interessante pela minha vida. As músicas que ouvimos dizem muito sobre nós.

Neil Peart (Rush)

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Porque esse senhor simpático é o cabeludo do vídeo.

Eu posso dizer que aprendi inglês com Neil Peart. Isso porque lá pelos meus doze, treze anos, ainda sob a influência musical do meu pai, eu ouvia Rush loucamente. Na vontade de entender o que a banda cantava, comecei a garimpar as letras das músicas, traduzindo e arrumando aqui e ali até fazer versões decentes em português. Descobri trocentas palavras novas, quebrei cabeça com expressões, aprendi a lógica das frases em inglês. E descobri o talento de Neil Peart.

E Peart é o baterista da banda, mas escreveu 99% das letras. Quem canta é o baixista, Geddy Lee, e apesar de não podermos negar que há uma parceria incrível aí, Neil Peart é com certeza um talento raro com as palavras. Ao longo de 40 anos de carreira da banda, o baterista escreveu ficção científica, fantasia, baladas românticas, músicas melódicas, dramáticas, épicas, nostálgicas, questionadoras, políticas… Prolífico define.

Minha favorita sempre será a épica “The Trees”, de 1978, (até hoje, uma das minhas músicas favoritas do mundo inteiro!) mas destaco também “Manhattan Project” e “Time Stand Still” como exemplos de letras incríveis.

Now there’s no more oak oppression
For they passed a noble law
And the trees are all kept equal
By hatchet, axe and saw

Pitty

Uma mulher cantando rock? Uma mulher brasileira cantando rock? Uma mulher brasileira cantando rock com letras foda?

Essa era eu com uns catorze anos, pirando ao ouvir “Máscara” pela primeira vez. Ainda tenho Admirável Chip Novo e Anacrônico como grandes álbuns. Eu ouvia até cansar e até hoje acho que não tem música ruim neles. Pitty tem um talento excepcional para escrever rock em português, o que acho extremamente difícil. Suas letras são honestas, sensíveis, reais. Destaco o clássico “Máscara”, a balada “Equalize” e o desespero de arrancar o coração também chamado de “Na Sua Estante”. Mas deixo como favorita, “Deja Vú”.

pitty+agridoceA minha alma nem me lembro mais
em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Mas já faz algum tempo
já faz algum tempo … faz algum tempo.

Só de lembrar arrepio.

Julian Casablancas (The Strokes)

Eu lembro até hoje. Eu estava começando o ensino médio e escutei “Reptlia” pela primeira vez. Nunca tinha ouvido nada parecido e eu pirei. Estava aí plantada a semente da minha veia hipster.

Julian Casablancas escreve sobre as angústias do mundo contemporâneo, de situações banais (como esquecer o “It’s three in the morning and you’re eating alone”?), de encontros e desencontros na cidade grande. Sim, Casablancas é um compositor urbano. Não é a toa que ele escreveu uma música chamada “River of Brakelights” (disco solo). E sim, Julian Casablancas não é um grande vocalista, nem um grande performer, mas ele sabe juntar palavras e sons. Haters gonna hate. Minha favorita é “Electricityscape” (que nunca foi single), mas fica aí marcado “15 minutes” e “The end has no end”.

Possivelmente a definição do que é ser hipster.

Possivelmente a definição do que é ser hipster.

Oh with strangers to impress so near
Old friends don’t realize I’m here
I wish two drinks were always in me
I’d pretend I had the perfect day

Take me to the water
Make me understand
That I was wrong

 

 

Oh Julian, so true!

Curiosidade! Foi ouvindo essa música que em 2007 escrevi um pequeno romance chamado Luzes da Cidade, que até hoje não foi publicado. Os capítulos do romance foram inspirados nas músicas do álbum First Impressions of Earth, do Strokes. Se eu publicarei um dia? Talvez. Era um troço louco, experimental e confessional.

Billie Joe Armstrong (Green Day)

Sim, eu adoro Green Day, por que todo mundo assusta quando falo isso? “She” me definou por um bom tempo…

Isso aqui foi no auge da rebeldia dos 16 anos. Esperava o dia inteiro na MTV pra ouvir “Jesus of Suburbia”. Eu assistia o DVD Bullet in a Bible com minha irmã literalmente gritando junto com o vídeo. Eu tinha um poster do Billie Joe no meu quarto. É.

Mas além de toda essa loucura adolescente, eu realmente gostava das músicas e das letras. Acho Billie Joe um compositor subestimado muitas vezes. Para o pop punk (agora opera épico punk), as letras são ótimas e muito bem feitas. E sério: não consigo até hoje ouvir uma música do Green Day sem me afetar. Seja pra pular gritando, chorar, rir, ficar nostálgica… Sinal de Billie Joe Armstrong compõe bem.

As minhas favoritas são “Holiday”, “She” e “Longview” (sim, é isso mesmo), mas se eu tivesse que escolher a melhor de todas: “Jesus of Suburbia”!

Teenage crush. But still good.

Teenage crush. But still good. Awesome good.

At the center of the Earth
In the parking lot
Of the 7-11 where I was taught
The motto was just a lie
It says home is where your heart is
But what a shame
‘Cause everyone’s heart
Doesn’t beat the same
It’s beating out of time

 

MELHOR CLIP EVER!!!

Billy Corgan (The Smashing Pumpkins)

Se alguém quiser entender a melancolia dos meus textos literários, uma boa ideia é ouvir Smashing Pumpkins. Com certeza foi a banda que mais me inspirou a escrever, desde que a conheci, em 2006. As músicas de Billy Corgan foram trilha sonora de A Torre e o Dragão (com “Suffer”) e “Três Passos no Caos” (com “Hummer”). Mais: a música “Muzzle” foi não apenas influência mas uma peça central no conto O Silêncio do Mundo. Essa é a música que Lícia e Yuri escutam pra quem nunca identificou.

Enfim, Billy Corgan sabe transformar tristeza e melancolia em música. Pra mim ele é um poeta. Sério. Difícil escolher uma música favorita dele, mas vou com “Thru the Eyes of Ruby”. Fucking sad.

Partindo seu coração com três acordes distorcidos.

Partindo seu coração com três acordes distorcidos.

So speak your peace
In the murmurs drawn
But youth is wasted on the young

Your strength is my weakness
Your weakness my hate
My love for you just can’t explain
Why we’re forever frozen, forever beautiful
Forever lost inside ourselves

The night has come to hold us young

Aí você morre.

Nina Diaz (Girl in a Coma)

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Suave e forte. Alto e baixo. Nina Diaz.

Avançando uns anos aí. Ouvindo Girl in a Coma para ir para o trabalho. 2011. Metrô. Nina Diaz cantando maravilhosamente e só depois eu fui descobri que todas as músicas eram dela! Extremamente versátil, Nina tem letras fortes, bem boladas e impacatantes. Girl in a Coma tem músicas bastante variadas com pegadas de punk, hard rock e alternativo. É uma banda que vale a pena conhecer.

Acho uma tarefa quase impossível escolher uma música de Nina apenas. Todas são incríveis a seu modo. Mas eu destaco “Road to Home” e “Simple Man”. Elegendo uma favorita, “Consider”. Porque é tão real.

Would you smile if I wrote you a song?
And would you cry for every night I am gone?
We long for those special people
Who pull away when you start to figure ‘em out

Marcelo Camelo

Isso aí já é um gosto mais recente. Sim, eu sempre ouvi Los Hermanos porque meus amigos de ensino médio tinham uma banda e tocavam. Na época adolescente, destestava. Depois comecei curtir algumas coisas. Mas eu digo que Marcelo Camelo é um gosto adquirido e eu comecei a adorar. E hoje escuto Los Hermanos e Banda do Mar porque realmente curto. #veiahipster

Camelo tem um jeito natural para compor em português. Músicas intimistas, bem boladas, tocantes.

Como se a foto precisase de legenda com essa barba toda...

Como se a foto precisase de legenda com essa barba toda…

Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mas do que somos todos nós
Você supõe o céu

Ah, como essa música é 2008… E eu nem sabia.

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E vocês? Quais são os compositores que vocês mais gostam?

Sobre o Autor

Melissa de Sá administrator

Melissa é escritora e fica hiperativa com açúcar. É autora da distopia Metrópole: Despertar, publicada pela Editora Draco em 2016, e do livro infantil A Última Tourada, adotado em centenas de escolas no Brasil. Tem contos publicados em diversas antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento.

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