Resenha de Música: “Both Before I´m Gone” (Girl In A Coma)

porMelissa de Sá

Resenha de Música: “Both Before I´m Gone” (Girl In A Coma)

Uma das grandes alegrias da vida é descobrir que ainda existem pessoas com talento verdadeiro nesse mundo, onde, infelizmente somos bombardeados com produtos que vivem às custas de efeitos de estúdio e visuais de videoclip. Tem gente que até diz que não existem mais bandas de verdade depois dos anos 2000 e apesar de eu não querer ser tão drásticas, tem horas que fico muito perto de acreditar nisso. Então, imaginem qual não foi minha alegria ao ouvir Both Before I´m Gone, da banda tejana Girl In A Coma!

E eu queria agradecer demais à leitura fiel Manoela, que foi quem me indicou essa banda. Manu, você não sabe a coisa boa que você me fez!

Recapitulada rápida da banda: Girl In a Coma é uma banda de San Antonio, Texas, formada pelas irmãs Nina Diaz (vocal/guitarra) e Phanie Diaz – conhecida mais por Phanie D – (bateria) mais uma amiga de longa data, Jen Alva (baixo). O nome da banda é uma referência direta à música dos Smiths, Girlfriend in a Coma. Depois de algumas músicas demo, a banda foi chamada para participar de um documentário de bandas chamado Jammin´ e em Nova York conheceram Joan Jett, que curtiu o som da banda e assinou com Girl In A Coma por sua gravadora, a Blackheart Records. Pela Blackhearts, a banda já lançou quatro albuns e Both Before I`m Gone é o primeiro.

Eu diria que o som da banda é uma cruza de The Cranberries com The Smiths cantando músicas da Bjork numa pegada punk com riffs de indie rock (????). É o tipo de banda que agrada quem gosta de guitarras distorcidas, riffs malucos, vocais sofridos e desesperados. Girl In A Coma tem músicas mais barulhentas e músicas mais tranquilas, mas todas elas são marcadas por um rítmo meio alucinado de sonho. Bons exemplos são as músicas abaixo:

Eu gosto do barulho então Clumsy Sky é minha favorita. 🙂

Título: Both Before I´m Gone

Banda: Girl in a Coma

Ano: 2007

Gravadora: Blackheart Records

Estilo: Punk, Garagem, Alternativo

1. ” Clumsy Sky”
2. ” Say”
3. ” Road to Home”
4. ” Sybil Vane Was Ill ”
5. ” I’ll Ask Him ”
6. ” Their Cell”
7. ” In the Background”
8. ” Mr. Chivalry”
9. ” Race Car Driver”
10. ” Consider”
11. ” Celibate Now”
12. ” The Photographer”
13. ” Simple Man”

O álbum já começa com a melhor música da banda pra mim, que é Clumsy Sky. Com uma pegada forte e um vocal impecável e muito criativo, a faixa mostra o melhor do punk rock com um quê melódico. Não é a toa que ganhou o prêmio de melhor punk rock do ano. Say é outra que se mostra bem forte com uma letra que, como diz o primeiro verso, “everyone will quote me in this line”.  Road to Home vem quebrar a atmosfera punk do CD com clima mais tranquilo e onírico (que o clip ilustra bem) enquanto Sybill Vane Was Ill lembra aqueles riffs malucos e repetitivos do Strokes.

O album segue com  uma volta a algo mais agressivo em I´ll Ask Him, a tranquila e já clássica Their Cell e a indefinida In the Background (ainda não consigui definir se a música é animada, calma, triste ou feliz). Mr. Chivalry é uma faixa frequentemente esquecida mas que merece muita atenção: ótima letra, ótima interpretação dos vocais de Nina e uma base instrumental forte que lembra aquelas bandas deprê esquecidas da década de 80. Race Car Driver é uma faixa facilmente apagável e o riff é extremamente irritante ao longo de seus 3:47 (e olha que eu sou a pessoa que gosta do terceiro album do Strokes, o campeão dos riffs irritantes!). Consider é uma música que parece começar pela metade e talvez é aí que fique sua beleza, que é bem sofrida por sinal (e tem algumas coisas meio metal. Sério) enquanto que Celibate Now é uma das melhores músicas da seleção pra mim: é lírica e tem arranjos de guitarra muito bonitos.

O album chega a seu fim com a hipnótica The Photographer – que dá a impressão que estamos dentro de um carro em alta velocidade olhando através da janela – e fecha com a acústica Simple Man, em que Nina Diaz mostra tanto seu talento vocal quanto seu talento de guitarrista num violão.

Before I´m Gone é um poderoso album de estréia muito lírico e recheado de influências criativas. Para quem gosta do estilo, não deixem de conferir!


Sobre o Autor

Melissa de Sá administrator

Melissa é escritora e fica hiperativa com açúcar. É autora da distopia Metrópole: Despertar, publicada pela Editora Draco em 2016, e do livro infantil A Última Tourada, adotado em centenas de escolas no Brasil. Tem contos publicados em diversas antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento.

11 Comentários até agora

Manoela MacedoPostado em8:52 pm - nov 21, 2011

Olá Mel! Obrigada, fico feliz que tenha gostado e postado no blog. Já indiquei essa banda pra tanta gente, e ninguém me deu ouvidos, daí eu pensei, ah, ela nem vai ouvir, vai esquecer… Mas agora sabe mais da banda do que eu que indiquei. haha =P

Quando eu ouvi Girl In A Coma pela primeira vez, eu gostei muito da voz da Nina, e fiquei muito feliz por elas estarem aí, por estarem fazendo músicas com muita criatividade, qualidade e personalidade nos dias de hoje. A primeira música que ouvi foi Static Mind, e logo se tornou minha preferida. Depois ouvi Their Cell, que é demais e viciante, a guitarra e a bateria são ótimas e elas também tem covers incríveis. As The Word Falls Down, que eu achei ainda melhor de ouvir do que a original que é mais calma e Femme Fatale, da banda Velvet Underground, que eu também gosto muito. As adaptações que elas fazem nas músicas são bem criativas. Eu adoro os clipes, principalmente o de Simple Man. Say, Walkin’ After Midnight, Road To Home… Essas músicas ficam na cabeça… (:

Agora tem o novo clipe para a música Smart, bem tri.
Beijo! 😉

    MelissaPostado em9:04 pm - nov 21, 2011

    Eu gostei DEMAIS! hahahaha E não, eu não esqueci, e como você tem um gosto parecido com o meu eu já desconfiei que ia gostar…

    O único CD que ouvi todo até agora foi esse, mas eu AMEI a versão de As The World Falls Down… que como você disse, ficou melhor que a original. Elas são MUITO criativas. E realmente, a voz da Nina é o que mais chama atenção.

    Eu diria que essa banda é uma das melhores tocando hoje em dia. De verdade mesmo. Elas são autênicas, criativas e extremamente talentosas. E os clipes são muito legais mesmo.

    bjs e nos vemos no show da Joan em abril! 🙂

      Manoela MacedoPostado em9:16 pm - nov 21, 2011

      Eu vou colar na minha porta isso de ir no show da Joan, como meta. Ano novo o pedido é esse. haha. Caramba, eu quero muito ir, mas especialmente por ela. Gosto muito de Band Of Horses, Velhas Virgens e o restante não muito, mas preciso encontrar alguém que vá junto comigo… Tomara que eu vá! (:

      Se Girl In A Coma fosse bem conhecida ia ser demais vê-las também, espero um dia ver um show delas.

MelissaPostado em9:33 pm - nov 21, 2011

Eu to querendo ir praticamente por ela também. Uau, é Joan fucking Jett no Brasil. De verdade. Nussa!

Eu também espero um dia ver Girl In A Coma ao vivo. O pior é que tem tanto preconceito por elas serem uma banda só de mulher… Ler aqueles comentários do Youtube dão MUITA raiva.

    Manoela MacedoPostado em9:54 pm - nov 21, 2011

    Eu nunca leio comentário no youtube, porque sempre dá nisso, dá raiva do ser humano mesmo. Ver gente com preconceito de bandas só de mulheres já bastou nos anos 60/70, agora chega né. Nem sentido faz. Eu sempre falo que eu quero fazer uma banda só de mulheres e primeiro de tudo, tocar Runaways. Sei de pessoas que querem também, mas cada uma vive em um canto do Brasil, fica difícil, fora que precisa de um público que eu nem sei se existe. haha. De qualquer maneira, eu ainda vou ter a minha bandinha. =p

      MelissaPostado em9:59 pm - nov 21, 2011

      Ler comentário no Youtube faz o sangue ferver. Vergonha de pensar que aquela criatura é do mesmo planeta que eu. Mas infelizmente, depois de tudo que aconteceu na década de 70, ainda tem muito preconceito. E em vários níveis. Desde o “que droga, mulher tocando é lixo” até aqueles que chamam as integrantes de vadias, lésbicas ou mulheres que não têm marido. Se bem que tem o que eu acho pior de todos “se fechar os olhos, até parece que é homem tocando!”.

      Você toca? O que? Eu também queria uma all-girl rock band, mas é difícil encontrar gente que anima, né?

Manoela MacedoPostado em10:15 pm - nov 21, 2011

Eu toco bateria, e imito a Cherie Currie na frente do espelho nas horas vagas… hahaha. Eu gostaria muito de fazer umas aulinhas de canto, se eu conseguisse, aí faria uma performace de Cherry Bomb, ao menos. =)

    MelissaPostado em10:19 pm - nov 21, 2011

    Sério que você toca bateria? Poxa, que máximo!

    Eu toco violão, tocaria guitarra se tivesse uma. hahaha Eu toco algumas músicas das Runaways, um dia vou postar um vídeo aqui no blog. Mas tem que ter coragem…

      Manoela MacedoPostado em10:28 pm - nov 21, 2011

      Bah, eu também não tenho bateria, eu fico triste, eu poderia estar tocando bem melhor se eu praticassse… :/ Mas quem sabe eu ganho uma, ou consigo comprar ano que vem. Aí eu também queria fazer alguns vídeos tocando por diversão. Eu fico vendo algumas bandas por aqui, e penso que seria um diferencial se eu fizesse uma banda com meninas que tocassem essas músicas que não costumam tocar tanto. Ia ser bem legal.

MelissaPostado em10:34 pm - nov 21, 2011

Eu não sei como seria por aqui. Não conheço muito o cenário musical, mas acho que a reação seria de surtar se vissem uma banda de meninas. hahahaha Ainda mais cantando “hello daddy hello mom i´m you ch ch ch ch cherry bomb”.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: