Resenha de Livro: Stonehenge: guerra, sangue, homens suados, essas coisas

porMelissa de Sá

Resenha de Livro: Stonehenge: guerra, sangue, homens suados, essas coisas

Comprei esse livro em novembro do ano passado e terminei de ler ontem. Não, não é porque o livro é ruim, mas porque eu não tive tempo mesmo. Na verdade, gostei bastante do livro que é bem naquele estilo do Bernard Cornwell: uma história masculina até o último grão de poeira.

Nesse mundo literário com correntes de escrita feminina e coisa e tal eu classifico Cornwell como um escritor de escrita masculina. E antes que alguém venha com o comentário óbvio “mas ele é homem!” eu explico que escrita feminina e masculina não tem nada a ver com o sexo do escritor e sim com as características do texto escrito. Proust, por exemplo, é um escritor de escrita feminina. Pode ter uma mulher que escreva com numa escrita masculina também… Voltando ao Cornwell… Adoro! Com certeza As Crônicas de Arthur é uma das melhores séries que giram em torno do Rei Arthur (e olha que já li um bocado), mas cuidado: ele é a antítese de As Brumas de Avalon, então não espere mulheres tomando a frente porque o lance do Cronwell é homem suado indo pra guerra fedendo depois indo transar com a esposa sem tormar banho carregando a cabeça do inimigo num cesto. Eu falei, masculino até o talo. As mulheres nos livros do Cornwell ou são loucas varridas ou são submissas e pacatas. Eu até me sentia incomodada com isso até que comentei o fato com meu namorado e ele disse: “Bem, você queria o quê? Mulher da Idade Média ou pior, da Idade da Pedra queimando sutiã e fazendo grandes coisas? Duas opções: ou ela é dona-de-casa ou ela é louca”. Pois é…

Stonehenge, como os outros livros do autor, é uma ficção com algum embasamento histórico ou seja: os personagens e acontecimentos narrados são totalmente fictiícios, mas os lugares e o background são descritos baseados em documentos históricos. O problema do Stonehenge é que não tem documento histórico porque aquele círculo de pedras data de 3.000 a.C! Gente, a história se passa na Idade do Bronze. Eu juro que antes de ler esse livro não conseguia nem imaginar como desenvolver uma história na Idade do Bronze que é tipo uma evoluçãozinha da Idade da Pedra!

O livro é em terceira pessoa mas tem foco narrativo em Saban, um dos filhos do chefe da tribo de Rhatarryn. Ele é um homem mais sensível, quer dizer, o máximo que se pode ser sensível no período neolítico o que basicamente significa que ele não sai matando todo mundo quando dá na telha. Gostei bastante do personagem, ele realmente cativa. A história começa quando ele é criança e vai até sua velhice o que é fascinante. Aliás, as reviravoltas da narrativa são muito legais! Quando você pensa que okay, agora esse povo cansou, aparece mais uma coisa e tudo vira de cabeça pra baixo.

A teoria da construção do Stonehenge no livro é de que o templo serviria para unir os deuses do sol e da lua (por isso o círculo de pedras acompanharia de forma tão perfeita os solstícios e as fases lunares). E a idéia de construir o templo é de Camaban, irmão de Saban, um dos personagens mais doidos varridos em termos de messianismo que eu já vi. Uma intricada rede de acontecimentos ronda a idealização/construção/pseudo-finalização do Stonehenge dentre eles casamentos, guerras, brigas, guerras, problemas de transportes de pedras de 10 toneladas quando não se existem guindastes, guerras, etc.

O livro me surpreendeu em vários momentos e achei que foi verossímil na medida do possível (a não ser que você seja um historiador do período neolítico). Os personagens são muito bem construídos e a narrativa é feita de um jeito dinâmico, sem muito bla bla bla. Como eu disse, é masculino: na lata e sem rodeios. Meu único problema na hora de ler foi que as descrições de construção não me ajudaram em nada. Por exemplo, o cara falar que vai construir um apoio oblongar para impulsionar a pedra que ficará num ângulo de não sei quantos graus é grego pra mim. Eu não entendo descrições matemáticas! Me senti burra, sério mesmo. Não conseguia visualizar! Descobri que só entendo descrições de lugares por metáforas e comparações. Tem hora que eu realmente acredito nesse lance de diferença entre cérebros de homens e mulheres. Tipo que homem vê mapa por comparação geométrica e mulher vê por referências.

Recomendo Stonehenge pra se ler nessas férias!

Sobre o Autor

Melissa de Sá administrator

Melissa é escritora e fica hiperativa com açúcar. É autora da distopia Metrópole: Despertar, publicada pela Editora Draco em 2016, e do livro infantil A Última Tourada, adotado em centenas de escolas no Brasil. Tem contos publicados em diversas antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento.

2 Comentários até agora

JéssicaPostado em12:46 pm - jul 23, 2010

o_O Eu não sei se tenho mais medo de vc ou desse cara que escreveu. Sinceramente…Mel vc é louca! hahahhahahaha Eu nunca leria um livro desses, i’m sorry. Prefiro continuar a ler livros de mulherzinha que não levam a lugar nenhum…

As Brumas de Avalon Vol.4 – O Prisioneiro da Árvore « Livros de FantasiaPostado em11:33 am - nov 14, 2011

[…] por exemplo. Okay, é a mesma lenda recontada, mas não podiam ser enfoques mais diferentes! Cornwell escreve sobre guerra, homens suados, Zimmer-Bradley está mais preocupada com a vida das mulheres e com os bastidores do poder. Então, […]

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