Minha adolescência cliché (parte I)

porMelissa de Sá

Minha adolescência cliché (parte I)

Agora a pouco, durante uma pesquisa que estava fazendo na internet, acabei encontrando esse texto sobre adolescência – clique aqui para ler porque vale a pena. Como era antes, como é agora. Achei bem interessante.

A jornalista que escreveu esse texto foi adolescente no início da década de 90, ou seja, no mínimo uns quinze anos antes de mim. No entanto, dá pra ver que os comportamentos adolescentes não são tão diferentes assim, só mudam um pouquinho de cor e endereço.

Na minha época (se sentindo A velha aqui…), Malhação era uma novidade super cool. Todo mundo queria sair da escola mais cedo pra assistir Malhação. Era o auge daqueles casais de amores arrasadores, com as vilãs-amigas-primas-irmãs super malvadas que faziam de tudo pra tirar a felicidade dos dois. Tinha personagens drogados, meninas grávidas e tantas outras coisas que eram coisa de outro mundo pra um bando de adolescentes de classe média que estudavam em escola católica.

E tinha revista Capricho! E no auge dos meus treze anos, ler Capricho (com todas aquelas reportagens sobre sexo e fotos de homem sem camisa) era uma coisa de outro mundo. As meninas mais moderninhas compravam a revista e passavam pela sala. A gente trocava bilhetinho e dava risadinha.

Mas pra ser rebelde mesmo tinha que era que ser Wicca. Gente, Wicca foi uma febre total na minha escola. E as freiras da escola mandavam recolher as revistas Wicca, mas existia um mercado negro no banheiro feminino que era impossível ser controlado. Todas as meninas faziam mexas no cabelo (até eu, no auge da loucura, pintei um pedaço do cabelo de vermelho) e pintavam as unhas de vermelho. Preto era o look do momento assim como pentagramas e camisas pretas de bandas que remetiam a essa idéia de magia ou o que quer que a gente achasse que Wicca fosse.

A gente mandava bilhetinho ameaçando as meninas que namoravam os guris que a gente gostava. Tinha Olimpíadas na escola e a gente torcia pro time da sala e até brigava com a melhor amiga (porque ela era da 718 e você era da 720). As meninas atléticas jogavam handball e ganhavam todos os olhares; as meninas paradas ganhavam boas notas e jogavam fora todas as chances com os meninos.

Todo mundo queria saber como era dar um beijo na boca. E todo mundo fingia que já tinha dado. Era tudo tão igual!

Sobre o Autor

Melissa de Sá administrator

Melissa é escritora e fica hiperativa com açúcar. É autora da distopia Metrópole: Despertar, publicada pela Editora Draco em 2016, e do livro infantil A Última Tourada, adotado em centenas de escolas no Brasil. Tem contos publicados em diversas antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento.

6 Comentários até agora

LucivâniaPostado em4:45 pm - maio 11, 2010

Nossa, essa jornalista então teve a adolescência na mesma época que eu. Naquela época ainda tinha o Confissões de adolescente que passava na TV Cultura e era considerado o melhor programa para adolescentes, mais até que Malhação, viu.

E era legal que a gente fazia aqueles famosos cadernos de perguntas e respostas e o caderno de recordações, que vc pedia para cada um da sua sala escrever uma mensagem. Eu ainda tenho o meu e guardo com carinho, tem umas mensagens muito fofas. rsrs

Fora isso, a moda era calça bailarina e calças de cintura baixa, listradas (antes a moda era cintura alta, “centropeito” hahaha). E foi naquela época q o pessoal começou a pintar o cabelo de rosa, verde… Com papel crepom mesmo. XD

Ai que saudade que me deu! hahaha

    MelissaPostado em4:56 pm - maio 11, 2010

    Eu também guardo meus cadernos de perguntas! Era uma febre total na minha época também.

    Eu lembro de umas meninas mais velhas pintando cabelo com papel crepom… hilário…

Ana GabiPostado em5:54 pm - maio 14, 2010

Oi Mel!
Lindo seu blog, amei! Você escreve tão bem!
Visitarei sempre!
Abraços e até terça,
Ana Gabi

JéssicaPostado em4:22 pm - maio 16, 2010

Essa coisa de adolescência é uma droga né (principalmente na escola), todo mundo em busca de uma auto afirmação que nunca chega. E é aí que todo mundo começa a se perder. Então a gente passa a escutar as experiências dos outros e tem vontade de ser igual. A gente acha que já perdeu a inocência, se aliena e depois quebra a cara quando se desiludi. E só então a gente cresce. Aiai… essa fase é tão doce que até amarga…

LuPostado em8:43 pm - maio 20, 2010

Nossa quanta coisa daquela época me faz falta!
Eu adora Confissões na Tv Cultura, comprava Capricho com o Backstreet Boys na capa e só fazia caderno de perguntas quando estava afim de alguém (pra saber se ele tbm estava afim de alguém). E apesar do tempo, no fundo ainda tudo é realmente muito igual.

Olha vou te dizer que ultimamente tenho pensado tanto nessa época…

E fico imaginando que faria tudo de novo. Ou não.

    MelissaPostado em11:14 pm - maio 20, 2010

    Eu também tenho pensado muito nesse tempo. Parece que faz muito tempo, mas às vezes, parece que foi ontem mesmo. Ás vezes tenho a impressão de que vou dormir e amanhã vou acordar e ir pro Coração de Maria.

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